Gravidez na adolescência em evidência no Brasil

Enviada em 31/10/2019

No filme “Preciosa”, a jovem protagonista sofre com a maternidade precoce, concebida em um cenário de extrema vulnerabilidade social. Assim como na ficção, a situação hodierna no Brasil também é marcada pelo problema infeliz da gravidez na adolescência. Esse contexto adverso é resultado tanto da negligência governamental, quanto da falta de diálogo sobre o tema com a família. Então, torna-se essencial a discussão desses pontos, a fim do amplo desempenho da coletividade.

Antes de tudo, é fundamental destacar que a problemática procede da ineficaz atividade dos setores governamentais no que se refere à geração de meios que reprimam tais recorrências. Segundo o filósofo contratualista Thomas Hobbes, o Estado é responsável por garantir o bem-estar da população; no entanto, isso não ocorre no Brasil quando observa-se os números alarmantes de adolescentes grávidas. Devido à falta de atuação das autoridades, os jovens mais marginalizadas não tem acesso à informações sobre educação sexual e os riscos de uma concepção indesejada, as quais são preponderantes para evitar tal ocorrência, de acordo com Esteban Caballero, diretor regional do Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA). Portanto, faz-se necessária a remodelação dessa conduta para assegurar o objetivo estatal hobbesiano.

Outrossim, é impreterível salientar a falta de comunicação sobre o tema com a família como impulsionador do impasse. Nesse sentido, é evidente que isso se trata de um legado histórico, uma vez que a Igreja Católica medieval considerava tabu falar sobre vida sexual, ainda mais quando envolvia menores de idade. Paralelamente, associando passado e presente, percebe-se que esse pensamento conservador de alguns pais e mães perdura até os dias atuais, o qual gera desconhecimento do assunto para o adolescente, deixando-o mais suscetível a cometer erros nesse âmbito. Logo, isso adia a resolução do imbróglio e colabora para continuidade desse cenário nocivo.

Destarte, entende-se que a gravidez na adolescência é fruto de outros contratempos sociais. Para que essa questão seja mitigada, urge que o Governo, na figura do Ministério da Educação, promova campanhas de conscientização sobre o tema nas escolas. A conscientização será feita por meio de palestras com agentes sociais especializados em educação sexual, os quais informarão sobre os riscos de uma concepção indesejada e sanarão dúvidas dos alunos em ambientes particulares após a ocasião. A família também deve atuar no ambiente domiciliar, deixando de lado dogmas religiosos e agregando mais conhecimento ao filho para que esse se torne definitivamente protegido. Por fim, surgirá um ambiente propício para atenuação, em médio e longo prazo, dos efeitos deletérios do contratempo, bem como a comunidade se extinguirá de casos como o da protagonista de “Preciosa”.