Gravidez na adolescência em evidência no Brasil
Enviada em 01/11/2019
Na Grécia Antiga, os casamentos eram realizados na adolescência com o intuito de promoverem a cidadania dos indivíduos. Nesse sentido, na contemporaneidade brasileira, pode-se evidenciar que tal fato constitui um desafio quando acompanhado da gravidez precoce, pois a formação educacional e econômica do jovem ainda está em desenvolvimento. Diante disso, observa-se a ineficiência do relacionamento familiar e o resultante distanciamento do âmbito escolar como impasses intensificadores da problemática. Nesse ínterim, hão de ser ponderados tais fatores para defrontá-los de maneira competente.
Em primeiro lugar, sob viés do filósofo Aristóteles, no livro: “Ética a Nicômaco”, é legítimo postular que os conhecimentos sobre sexualidade complementam os valores morais, cujos devem existir desde a infância pela família, a exemplo de uma criança que necessita de instrução até reconhecer as normas da sociedade. Entretanto, é fidedigno assimilar que a transgressão desse preceito constitui uma violação social. Isso decorre em razão da inexistência de saberes sobre os métodos anticonceptivos no cidadão, no qual pode promover a formação de gestações indesejadas e precoces. Dessa forma, apreende-se, de forma peremptória, a vertente negativa da incomunicação familiar como fator determinante da gravidez na adolescência.
Nessas circunstâncias, é fulcral conceber tal negligência familiar como princípio da evasão escolar da adolescente. Isso porque a gestação precoce, essencialmente nas meninas, exige maior descanso e mudanças na rotina habitual. Diante dessas complicações, o comparecimento da aluna na escola constitui um complexo desafio, no qual pode ser intensificado e ocasionar a desistência dela. Em face disso, o filósofo Paulo Freire, no livro: “Pedagogia do Oprimido”, constata que esse abandono favorece o aumento da desigualdade social, cuja participação educacional seria o caminho para a igualdade. Desse modo, verifica-se o efeito maléfico da gravidez precoce na adolescência.
Destarte, a gestação na adolescência é um enigmático obstáculo moderno e necessita de resolução. Nessa perspectiva, as instituições públicas de ensino - provedoras de educação - devem fortalecer o conhecimento sobre sexualidade da família dos adolescentes. Isso deve ocorrer por intermédio de reuniões, depoimentos, palestras e entrevistas. Nessa perspectiva, é necessário que tenham a participação de jovens grávidas e educadores que explanem sobre a temática. Dessa maneira, pretende-se incentivar a conversa familiar sobre sexualidade e promover a compreensão sobre as sequelas dessa problemática na adolescência. Somente assim, construir-se-á uma orientação adequada para a prevenção da gestação, evitando que os casos da Grécia Antiga sejam repetidos.