Gravidez na adolescência em evidência no Brasil

Enviada em 01/11/2019

O filme “Juno” retrata a trajetória de Juno MacGuff, uma adolescente de dezesseis anos que enfrenta uma gravidez não planejada e que precisa lidar com os desafios e preconceitos de uma maternidade precoce. Fora da ficção, a perspectiva vivida pela personagem muito se assemelha a realidade de inúmeras mães adolescentes no Brasil. Esse cenário antagônico é fruto tanto da inexistência de políticas públicas para as adolescente que já se tornaram mães, quanto da ausência familiar no processo educativo para as jovens. Nesse sentido, analisar os frutos e as raízes dessa problemática é medida que se faz imediata.

Precipuamente, é fulcral pontuar que a exclusão sofrida durante a gravidez precoce e após a mesma, deriva da baixa atuação dos setores governamentais, no que concerne a criação de mecanismos que coíbam tais recorrências. Devido à falta de atuação das autoridades, as jovens mães acabam sendo marginalizadas e excluídas socialmente, perdendo diversas oportunidades nas esferas profissionais e estudantis, dando origem ao clico da pobreza. A gravidez na adolescência prevalece nas camadas mais pobres da sociedade, portanto, uma jovem mãe e pobre não possui oportunidades de se capacitar para o mercado de trabalho e quando tenta se inserir profissionalmente, não obtém sucesso para alcançar maiores cargos devido seu nível de capacitação, perpetuando, assim, o ciclo da pobreza.

Ademais, é imperativo ressaltar a ausência familiar como promotora do problema. De acordo com o pensamento Durkheimiano, o ser é aquilo que a sociedade faz dele. Partindo desse pressuposto, o grupo social que aborda sexualidade como tabu, consequentemente, terá jovens vulneráveis no que diz respeito às consequências de uma gravidez precipitada. Logo, o debate familiar a cerca do sexo, seja ele prudente ou imprudente, e suas consequências, é primordial para reduzir a incidência dessa realidade e, também, acabar com preconceitos e tabus em torno do assunto, pois a personagem Juno só pode lidar com essa situação com a ajuda do pai, visto que ela provava total ignorância a respeito do sexo e da própria gravidez.

Portanto, o Ministério da Educação (MEC), deve instituir nas escolas, palestras, ministradas por psicólogos e profissionais da saúde, para incentivar a comunidade a discussão sobre sexualidade e  esclarecer os métodos contraceptivos, com o intuito de mitigar os tabus em torno do assunto e reduzir os índices de gravidez precoce. Outra medida eficaz, seria a criação de cursos profissionalizantes gratuitos para as mães adolescentes, com objetivo de fornecer oportunidade de capacitação e ascensão no mercado de trabalho, melhorando a qualidade de vida tanto da mãe, quanto da criança, pois segundo o pensador Thomas Hobbes, o estado é responsável por garantir o bem-estar da população.