Gravidez na adolescência em evidência no Brasil
Enviada em 01/11/2019
O filme Juno narra a trajetória de uma jovem de 16 anos que, ao engravidar de um amigo, começa a lidar com a responsabilidade de decidir seu futuro e o de seu bebê. Fora da ficção, é fato que a realidade de Juno coincide com a de muitos jovens no Brasil, que precisam lidar com os desafios da gravidez na adolescência. Diante disso, observa-se um grave impasse, tendo em vista a alienação social fomentada pelos tabus em torno das questões sexuais e a impulsividade no comportamento dos novos pais.
Em primeiro lugar, é fulcral analisar como o panorama supracitado contribui para a manutenção dos altos índices de gravidez na juventude no Brasil. Acerca disso, é pertinente trazer a obra Ensaio sobre a Cegueira, do escritor José Saramago, que evidencia a cegueira moral como a alienação da sociedade frente às realidades com que convive. Nesse sentido, se abster diante os impactos negativos da falta de diálogo entre jovens e suas famílias, infelizmente, contribui para a permanência dos tabus em torno das práticas sexuais. Por conseguinte, esse cenário dificulta o acesso dos adolescentes a métodos contraceptivos adequados para cada caso (pílulas ou DIU). Ademais, favorece os julgamentos, principalmente direcionados às meninas, que somados à chegada de uma grande responsabilidade, servem apenas para agravar uma situação já fragilizada.
Além disso, a necessidade de pertencimento a determinados grupos, motivados pela impulsividade, natural da idade, é outro pilar dessa problemática. Sob tal ótica, o conceito de menoridade, definido por Immanuel Kant como a falta de autonomia dos indivíduos para usarem seus próprios entendimentos, exemplifica essa questão. Isso ocorre porque, por influência de terceiros, os jovens tendem, muitas vezes, a iniciarem as vidas sexuais cada vez mais cedo, o que induz o amadurecimento precoce e contribui para a gravidez indesejada, devido à falta de esclarecimento necessário. Em consequência disso, as mudanças repentinas não se limitam apenas aos corpos das novas mães, que ainda não possuem estruturas biologicamente preparadas para a gestação, a vida dos futuros pais que têm o dever de auxiliarem suas parceiras, também é impactada.
Logo, para mitigar esse impasse, compete ao Ministério da Educação, em parceria com as Unidades Básicas de Saúde (UBS), ministrar campanhas em instituições de ensino, que envolvam palestras com psicólogos, enfermeiros e médicos. Isso deve ser feito, a cada semestre, com distribuição de cartilhas que exemplifiquem cada tipo de método anticoncepcional e orientem, sempre, para a importância da consulta médica para a prevenção da gravidez. Por fim, essas campanhas devem ser abertas a comunidade e transmitidas nas redes sociais do Governo, a fim mudar o roteiro dos jovens no Brasil.