Gravidez na adolescência em evidência no Brasil

Enviada em 02/11/2019

No filme “Juno”, a protagonista de 16 anos, ao descobrir-se grávida de um colega, enfrenta preconceito por parte de sua família, isolamento social e diversos riscos médicos associados à condição. Paralelamente, segundo pesquisa da OMS, é essa a dolorosa realidade de milhares de jovens no Brasil, visto que nosso país possui uma das maiores taxas de gravidez na adolescência da América Latina. Logo, é imprescindível analisar as principais causas, consequências e possíveis soluções para esse alarmante cenário.

A priori, entende-se o tabu em conversar sobre sexualidade no âmbito familiar como motivador para o problema. Durante a Idade Média, com a ascensão da Igreja Católica, criou-se a ideia de que assuntos relacionados ao corpo feminino e ao sexo em geral eram pecaminosos e não deveriam ser discutidos abertamente. Dessa forma, mesmo com a secularização advinda das revoluções iluministas e contemporâneas, é fato que essa postura persiste em nossa sociedade, dado que muitos pais ainda  se recusam a orientar seus filhos nesse aspecto. Consequemente, essas crianças voltam-se, muitas vezes, à pornografia e até mesmo à prática para satisfazer a curiosidade, iniciando a vida sexual de forma irresponsável e insegura.

Ademais, indica-se a deficiência em ensino focado na prevenção da gestação precoce como importante contribuinte para esse panorama. Embora muitos esforços já tenham sido empregados na instrução escolar acerca de DSTs e métodos anticoncepcionais, é sabido que muitas garotas ainda minimizam a facilidade que têm para engravidar e os prejuízos decorrentes disso. Dessa maneira, não tomam as devidas medidas de proteção e vulnerabilizam-se à prenhez, a qual afeta não só os estudos, sonhos e carreira, como também o desenvolvimento psicossocial e saúde física, a ponto de ameaçar a vida.

Portanto, é indubitável que ações devem ser implementadas para atenuar essa problemática. É necessário, pois, que os meios de comunicação estimulem, através de entrevistas com especialistas, reportagens e campanhas nas redes sociais, a interação familiar para com pré-adolescentes no que tange a relações sexuais e transformações hormonais na puberdade, a fim de esses menores possam tirar suas dúvidas em um ambiente seguro e acolhedor. Além disso, o Ministério da Educação precisa aumentar a carga horária da Base Nacional Curricular destinada ao ensino sobre os perigos da concepção prematura e como preveni-la, por meio de aulas especializadas, palestras e rodas de conversa, com o intuito de que as novas gerações recebam o conhecimento que lhes é devido e tomem decisões conscientes, transformando, assim, as Junos brasileiras em minoria.