Gravidez na adolescência em evidência no Brasil
Enviada em 01/11/2019
No filme “Preciosa” a personagem principal Clareece se torna mãe aos 16 anos, a partir de então a trama se desenrola com as dificuldades enfrentadas por ela. Entretanto, tal cenário não se restringe apenas ao ambiente fictício, visto que esse panorama é a realidade de muitos adolescentes brasileiros no século XXI. Tal questão merece zelo, pois evidencia uma pátria carente de educação sexual e segue afetando principalmente jovens em situação mais vulnerável socialmente.
Primeiramente, é válido ressaltar que embora a Constituição Federal de 1988 reconheça a vulnerabilidade infanto-juvenil, assegurando-lhe segurança física, psicológica e moral, parece que isso não está acontecendo como deveria, pois, devido à falta de informações, muitos jovens engravidam muito cedo, sendo essa considerada de “risco”. Outrossim, o ato sexual segue sendo um tabu desde a Idade Média, onde era mais aceitável cometer adultério com fins reprodutivos do que realizar o ato com seu cônjuge sem tal intuito, o que configurava um pecado cristão. No entanto, atualmente, o mito que falar sobre sexo induz o jovem a praticá-lo permeia o imaginário popular, fato é, sob um ponto de vista biológico o sexo é natural ao ser humano e, conhecer medidas que evitem a gravidez precoce evita também que a mortalidade materna siga sendo uma das principais causas de morte entre jovens e adolescentes nas Américas, segundo dados divulgados pelo portal Nações unidas.
Em segunda análise, é válido mencionar que desde o Primeiro reinado, no século XIX, a colônia brasileira vivenciou grandes avanços infraestruturais e tecnológicos, no entanto, tais avanços não abarcavam toda população brasileira, os quais privilegiaram principalmente a elite brasileira. Nesse viés, ao observar o regime político atual, percebe-se que grande parte da população ainda sofre à margem da sociedade faltosa de recursos fundamentais, como a educação, essa que é uma das principais difusoras de informações. Desse modo, nota-se que tal público torna-se mais facilmente exposto a gravidez precoce, devido à vulnerabilidade. Tal fato, pode ser comprovado por dados divulgados pelo Centro de Atenção Integral a Adolescentes de Brasília, os quais mostram que os maiores índices de gestação precoce estão presentes da população de baixa renda.
Portanto, para sanar as dificuldades que rodeiam os assuntos sexuais e a gravidez na adolescência, é de suma importância que os Estados, em parceria com Ministério da saúde e mídia, promovam palestras, campanhas, congressos e diálogos entre pais e filhos. Por meio da criação de instituições provedoras de educação sexual, qualificação de professores que tratem do assunto com clareza e responsabilidade, campanhas que facilitem o acesso dos jovens a métodos contraceptivos, auxiliando a população no completo entendimento do assunto e que promova maiores cuidados na educação juvenil bem como incentivar que o tal assunto seja tido como tema de utilidade pública para assim a realidade de possíveis pais e filhos seja melhor elaborada no contexto social.