Gravidez na adolescência em evidência no Brasil

Enviada em 01/11/2019

No século XX, nos países desenvolvidos, as mulheres conquistaram maior espaço no mercado de trabalho, o que teve, como consequência, redução no índice de fecundidade. Nesse contexto, o Brasil, apesar de acompanhar essa tendência, apresenta um elevado número de meninas que engravidam na adolescência, o qual é fruto da falta de acesso à educação de qualidade e de cuidados médicos para evitar a gravidez. Desse modo, medidas que busquem a diminuição da gravidez na adolescência precisam ser estabelecidas, antes que a questão aprofunde as desigualdades sociais da nação.

Em primeira análise, a dificuldade no acesso a uma educação de qualidade é fator primordial no elevado número de adolescentes brasileiras grávidas. Segundo a Organização Mundial de Saúde, a maior parte das adolescentes brasileiras que engravidam fazem parte de uma camada social mais pobre. Assim, a desigualdade faz com que essa camada social necessite do uso da educação pública básica - a qual, segundo o jornal G1, apresenta falta de profissionais, materiais e verba -, o que desmotiva essa população, dificulta o acesso ao conhecimento de qualidade e, consequentemente, reduz o acesso das meninas às informações sobre gravidez na adolescência. Isso prova que a falta de investimentos na educação é responsável pelo aumento desse índice social.

Outrossim, a falta de acesso dessa população carente à médicos especialistas e remédios como os anticoncepcionais são fatores que favorecem ainda mais o aumento dessa realidade. Segundo pesquisa publicada na revista Science, um dos principais fatores de problema do Sistema Único de Saúde brasileiro é a elevada fila de espera para os seus procedimentos. Nesse contexto, os ginecologistas, como especialistas, não se fazem presentes nos postos de saúde - os quais apresentam menores filas de espera -, dificultando o seu acesso à população e consequentemente à medicação, como os anticoncepcionais, que são receitados por esses profissionais. Esse fato deixa essa população carente ainda mais frágil à gravidez na adolescência.

Diante dos fatos supracitados, os problemas no acesso à educação e nos artifícios médicos se mostram como fatores importantes no número de grávidas adolescentes. Diante disso, o Estado deve garantir um acesso mais fácil da população aos ginecologistas, por meio de novas diretrizes do Ministério da Saúde, alocando esses profissionais nos postos de saúde. Ademais, o governo federal deve garantir maior verba na educação básica, por meio de um projeto de lei que ofereça uma maior porcentagem do orçamento anual para a questão. Busca-se, com essas medidas, que o Brasil passe a oferecer as condições para que as meninas possam se informar melhor e ter acesso às ferramentas necessárias. Somente assim, o País reduzirá o problema da gravidez adolescente.