Gravidez na adolescência em evidência no Brasil
Enviada em 01/11/2019
A série “Elite” expõe os dilemas enfrentados no cotidiano dos alunos da escola Las Encinas. Nesse contexto, é retratado, em um de seus episódios, o drama de Marina: uma jovem aluna que se envolve com Nano e engravida de maneira precoce. Fora do universo ficcional, no Brasil, os jovens apresentam situações similares as de Marina, visto que o número de gestação prematura cresce exponencialmente, ora pela escassez de informação, ora pela negligência escolar.
De início, é válido trazer à tona como a ausência de conhecimento profilático acerca dessa mazela causa a sua perpetuação. Diante disso, nota-se, na atual conjuntura, o descuido por parte dos indivíduos em não obter informações a respeito dos riscos que a gravidez na adolescência pode causar tanto aos pais quanto ao bebê, de modo a causar, consequentemente, o aumento exacerbado da evasão escolar. Tal constatação é corroborada pelo fato de que o Ministério da Saúde disponibiliza, gratuitamente, métodos contraceptivos para quem deseja evitar gestações indesejadas e, mesmo assim, a majoritária parte das pessoas não têm acesso a essa referência.
Outrossim, é fulcral pontuar, ainda, que o ambiente escolar age de forma imprudente, o que fomenta a permanência do impasse. Sob esse viés, é evidente que o ensino educacional vigente é letárgico ao não oferecer, aos alunos, a disciplina de educação sexual de forma prática e dinâmica nas salas de aula, já que a escola tem o papel de formar o caráter e os princípios morais do indivíduo. Esse cenário, semelhante visto em “Elite”, vai de encontro ao pensamento do educador e psicanalista Rubem Alves, o qual sustentava a ideia de que “há escolas que são gaiolas e há escolas que não asas”. Urge, portanto, a mudança plena desse quadro deletério.
Logo, incumbe ao Ministério da Educação (MEC), instância maior em garantir educação qualitativa, aplicar, por meio da mudança na grade curricular, a disciplina de Educação Sexual, de forma que demonstre, na prática e na teoria, os ricos que esse mal pode causar, bem como democratizar o acesso de informações sobre métodos profiláticos, a fim de formar cidadãos mais cautelosos e conscientes. Além disso, é necessária a divulgação, pela mídia televisiva, dos pontos no qual obtêm a disponibilidade de preservativos e anticoncepcionais gratuitos a todos. Feito isso, forma-se-á uma sociedade mais prudente e, ademais, casos análogos ao de Marina não ocorrerão.