Gravidez na adolescência em evidência no Brasil

Enviada em 04/12/2019

Até relativamente pouco tempo atrás, era comum o casamento entre, ou envolvendo, jovens, partindo do pressuposto de que a expectativa de vida era menor e, portanto, a vida adulta deveria começar mais cedo. Consequentemente, a gravidez precoce também era uma realidade. No entanto, mesmo com o aumento da qualidade e da expectativa de vida e o estabelecimento dos direitos das crianças e adolescentes, a problemática perdura até os dias atuais. Podemos relacionar este fenômeno à deficiência ou inexistência de educação sexual, reflexo tanto da vulnerabilidade e carência de alguns setores sociais quanto do tabu que envolve relações sexuais e adolescentes.

De acordo com a teoria demográfica marxista ou reformista, a desigualdade social seria a causa das elevadas taxas de crescimento vegetativo, visto que determinadas condições de vida impediriam um planeamento familiar. Como, tal qual os altos níveis de natalidade, os numerosos casos de gravidez na adolescência afetam principalmente populações em condições de pobreza e instabilidade, é possível afirmar que os dois fenômenos tem relação evidente com a miséria e baixa qualidade de vida, fonte escassez de informação sobre uma relações sexuais seguras e acesso a métodos contraceptivos.

Há diversos fatores que dificultam o diálogo sobre uma vida sexual, principalmente entre pais e filhos, ou seja, dentro da instância privada. Pode ser constrangedor, as reações recebidas podem não ser as melhores e pode ser difícil encontrar o momento certo, visto que sempre há o medo de estar “permitindo” a realização do ato ao mencionar. Como a conversa dentro do meio familiar pode apresentar problemas, a atenção do meio público deveria ser uma opção. Os menores deveriam poder conversar com professores, médicos, entre outros profissionais. No entanto, responsáveis que demandam por autonomia na educação dos filhos ou acreditam que a informação pode estimulá-los barram a assistência.

Como a persistência de altos números de gravidezes entre jovens é preocupante, é necessário que medidas sejam tomadas para, ao menos, atenuar a situação. Para isso é essencial que, assim como para os surtos de natalidade, o governo, em parceria com o ministério da saúde e o da educação, invistam na melhoria de vida da população mais pobre, junto à divulgação de métodos anticoncepcionais e educação sexual,  através de campanhas e propagandas voltadas para os adolescentes. É também de suma importância que haja  projetos e ações de conscientização dos responsáveis e preparação para assistir os filhos ou permitir o auxílio do estado.