Gravidez na adolescência em evidência no Brasil

Enviada em 10/12/2019

No filme americano “Simplesmente Acontece”, a protagonista Rosie engravida na adolescência e vê seus projetos de vida naufragarem. Ao decorrer do enredo, Rosie recusa uma bolsa de estudos mesmo sendo contra a sua própria vontade, pois precisa assumir responsabilidades precocemente para se tornar mãe e com isso pula etapas de sua juventude. Embora seja uma obra ficcional, o filme apresenta características que se assemelham ao atual contexto brasileiro, pois, assim como na obra, a gravidez na adolescência tem sido um dos principais problemas que o Brasil foi convidado a administrar, combater e resolver. Tal problemática ocorre devido, entre outros fatores, à negligencia por parte do governo, bem como à existente falha no ensino escolar sobre a temática. Em primeiro lugar, deve-se ressaltar a ausência de medidas governamentais para a prevenção da gravidez na adolescência. Segundo o filósofo inglês John Locke, o Estado, por meio de um contrato social, deve garantir o bem-estar à população. Entretanto, tendo em vista a ausência de políticas públicas efetivas que visem disseminar as informações sobre medidas preventivas, nota-se indubitavelmente o descaso do governo as adolescentes que passam por esse cenário. Assim, tem-se, como consequência, um aumento no índice de abandono escolar, uma vez que as adolescentes se afastam do âmbito estudantil para adquirir responsabilidade de amamentar e cuidar de seu filho em tempo integral, entre outros. Ainda, é importante salientar como interfere na saúde da adolescente, posto que há tentativas de interrupção da gestação por meios ilegais. Isso pode ser comprovado com dados do Ministério da Saúde, que mostraram um total de 274 mortes relacionadas com a gravidez em adolescentes em 2014. Essas mortes, além das causas obstétricas, se relacionam com a tentativa de aborto. Logo, é preciso um novo posicionamento das autoridades diante do problema. Outrossim, é válido pontuar o efeito que a falta de conhecimento sobre a prevenção sexual se relaciona ao problema abordado. Decerto, a escola, de forma geral, contribui para o desenvolvimento emocional de um indivíduo. Nota-se, porém, que o ambiente estudantil não aborda sobre a educação sexual em sua grade curricular, o que, infelizmente, causa um despreparo aos jovens, que precocemente, iniciam sua vida sexual sem informações necessárias para utilizar métodos contraceptivos que previnam a gravidez e doenças sexualmente transmissíveis. Para o educador brasileiro Paulo Freire, a ausência de uma base educacional dificulta o progresso de uma sociedade. Assim, é fundamental a mudança de comportamento dos institutos escolares. Infere-se, portanto, que prevenir a gravidez na adolescência é um enorme desafio no Brasil. Sendo assim, o Governo Federal, como instância máxima de administração executiva deve atuar em favor da população, através de leis que visem incluir na grade curricular sobre a educação sexual e as formas de prevenção com aulas lúdicas e eficazes. Ademais, O Ministério da Educação, em parceria com a Secretaria da Educação, deve promover palestras educativas que abordem sobre a temática, nas escolas de modalidade pública e privada, durante o ensino fundamental até o ensino médio, com a presença de pedagogos, psicólogos e especialistas no assunto, com intuito de que precocemente, haja a conscientização sobre a importância de utilizar os métodos contraceptivos. Essa palestra pode incluir não somente a presença dos alunos, mas também dos pais e responsáveis, a fim de que incentive o diálogo no ambiente domiciliar entre pais e filhos sobre o assunto. Posto isso, não viveremos mais em um Brasil análogo a trama de “Simplesmente Acontece”.