Gravidez na adolescência em evidência no Brasil

Enviada em 02/02/2020

Em 2019 foi aprovada a Lei nº 13.798/19 que instituiu a Semana Nacional de Prevenção na Gravidez na Adolescência. A Associação Médica Brasileira (AMB) está entusiasmada com a nova Lei que visa promover medidas educacionais e informativas sobre a prevenção da gravidez na adolescência. Pois, apesar de ocorrido redução nos índices de gravidezes na adolescência, segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS) eram 80 casos para cada 1 mil meninas em 1995-2000 versus 65 casos atualmente, este ainda continua sendo um grave problema social que nos afeta multifatorialmente, como em aspectos sociais, econômicos, familiares, educacionais e culturais. Atualmente, 20% das crianças brasileiras nascidas são filhos de mães entre 15 e 19 anos de idade, dentre estas mães, três em cada cinco não trabalham nem estudam, segundo dados da Fundação de População das Nações Unidas. Desta forma é possivel observar a gravidade da situação, já que a gravidez na adolescência está diretamente relacionada a evasão escolar e dificuldade de inserção feminina no mercado de trabalho, o que gera dependência econômica. As jovens mais atingidas pela gravidez precoce são as afrodescedentes e Nordestinas, fortalecendo a permanência dessas mulheres em grupos de baixo poder socioeconômico. Por se tratar de um processo complexo (algumas gravidezes são frutos de violência sexual) e que ocorre em um período vunerável da vida, a gravidez na adolescência gera sequelas no desenvolvimento psicossocial e está associada a maiores riscos futuros de problemas na saúde física e mental da mulher. Por conseguinte, se faz de extrema importância uma maior articulação entre os Ministerios da Saúde e Educação visando realizar campanhas efetivas sobre educação sexual e prevenção da gravidez adolescente envolvendo pais e adolescentes, pois os pais precisam urgentemente quebrar o tabu sobre esse assunto dentro de casa. Meninos e meninas devem ser conscientizados sobre as consequências de uma gravidez precoce. Por ser um problema de ordem social no qual todos somos afetados, autoridades politicas, pais, escolas e a sociedade como um todo precisam unir forças e debater abertamente sobre casos de gravidez na adolescência.