Gravidez na adolescência em evidência no Brasil
Enviada em 04/02/2020
A série americana, “Avós de primeira viagem” retrata a vida de milhares de crianças e adolescentes grávidas e suas consequências psicológicas e socioeconômicas. Analogamente, essa mazela social está presente no Brasil contemporâneo devido à ineficácia da educação sexual, por influência da cultura religiosa, associada à desigualdade social. Assim, é necessária a ação de diversos setores sociais para atenuar essa problemática.
A priori, a Constituição Federal de 1988, promulgada com base nos direitos humanos, prevê como dever do Estado proteger e educar as crianças e adolescentes. Contudo, de acordo com Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, IBGE, das crianças nascidas 20% tem pais entre os 15 e 19 anos. Desse modo, a negligência no desenvolvimento da educação sexual por parte do Estado, devido a influencia da cultura religiosa que implica a educação sexual como incentivo a se tornarem sexualmente ativos e por consequência crescimento precoces, expõe estes jovens a doenças psicológicas como ansiedade e depressão devido à imaturidade para lidar com uma gravidez precoce. Logo, fica evidente que tal negligência contribui para a manutenção dessa problemática.
Ademais, em um país com dimensões continentais como o Brasil, a desigualdade social implica na manutenção dos casos de gravidez na adolescência. Nesse contexto, na região norte e nordeste por possuírem os maiores índices de desigualdade social, de acordo com dados divulgados pela Pesquisa Nacional de Amostra por Domicilio, o número de adolescentes grávidas corresponde a 22%. Nesse sentido, por possuírem uma baixa renda e difícil acesso a educação e ao sistema de saúde ─ responsável pela orientação e fornecimento de métodos contraceptivos gratuitamente ─ esses jovens se veem em estado de marginalização e impossibilitados de continuarem o processo de educação, o que induz os atos índices de evasão escolar, e se tornam vulneráveis a entrada prematura no mercado de trabalho, baixa remuneração e, por conseguinte a falta de perspectiva de crescimento como afirma à educadora Erica Guerra.
Portanto, torna-se evidente a necessidade de medidas que alterem o cenário vigente. Desse modo, cabe ao Ministério da Educação em conjunto com as Secretarias de Educação municipais, através de verbas provindas do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação, criar um projeto em combate a gravidez na adolescência bem como o apoio as jovens gravidas, no qual consistiria em minicursos de educação sexual, ministrados por médicos, bem como a disponibilização de psicólogos para auxiliar na adaptação das jovens gravidas e seus companheiros. Além disso, deve ser criada uma bolsa de auxilio de financeiro para que estes permaneçam na escola e tenham acesso a um futuro promissor.