Gravidez na adolescência em evidência no Brasil

Enviada em 14/04/2020

Durante a Idade Média, a expectativa de vida das populações era baixa comparada aos dias atuais, o que tornava a gravidez precoce uma necessidade para garantir a reprodução da linhagem familiar. Entretanto, embora tal necessidade não seja mais presente hodiernamente, a gravidez na adolescência ainda é muito frequente no Brasil. Nesse ínterim, a falta de diálogo sobre educação sexual nos lares e nas escolas agrava o panorama.

De acordo com a Organização Mundial da Saúde, cerca de 70 a mil meninas entre 15 e 19 anos engravidaram entre 2010 e 2015 no Brasil. Essa conjuntura é decorrente, principalmente, da negligência nos lares e escolas, haja vista que ambos são os principais pilares formadores da responsabilidade juvenil. Nesse escopo, a educação sexual, principal arma contra a gravidez na adolescência, é vista, muitas vezes, como tabu para os pais e como dispensável para a escola.

Como consequência, a vida das futuras mães é comprometida. Na maioria dos casos, ao engravidar, as adolescentes abandonam a escola para cuidar de seus filhos, o que no futuro, pode perpetuar a pobreza, desigualdade social e exclusão sofridas pela mulher. Ademais, como o próprio corpo da adolescente não está preparado para abrigar uma nova vida, o risco de morte na gravidez, parto ou pós-parto é muito maior comparado a uma mulher adulta. Fica evidente, portanto, que ações precisam ser tomadas para reverter esse quadro.

Para isso, o Ministério da Educação deve se mobilizar em torno do assunto e tornar obrigatório, por meio de mudanças na grade escolar, aulas de educação sexual nas aulas de Ciências e Biologia, bem como convidar médicos e especialistas para orientar pais e alunos sobre como se prevenir a gravidez na adolescência, com o fito de diminuir os casos. Ainda, o Ministério da Saúde deve ampliar a distribuição de preservativos gratuitos em locais estratégicos, como terminais de ônibus e postos de saúde, por meio da disponibilização de mais recursos, com o fito de garantir que a proteção no ato sexual não seja um entrave.