Gravidez na adolescência em evidência no Brasil

Enviada em 10/04/2020

É notório que a ascensão da mulher no mercado de trabalho foi tardia no Brasil, tendo ocorrido apenas após a Segunda Guerra Mundial. Portanto, mostram-se ainda evidentes concepções errôneas de que as mulheres servem apenas em função da maternidade, o que influencia algumas adolescentes, em geral de camadas pobres, a engravidarem, uma vez veem na maternidade sua única perspectiva de futuro. Além disso, muitos adolescentes não possuem conscientização a respeito do planejamento familiar e do uso correto de métodos contraceptivos, o que gera impactos irreversíveis tanto para os pais, em especial a mãe, quanto para o bebê, sejam eles de natureza social ou relacionados à saúde.

A princípio, é importante destacar que a gravidez na adolescência está amplamente relacionada à falta de acesso a educação e saúde de qualidade, ou seja, à renda. Dessa forma, a Síntese de Indicadores Sociais de 2015, divulgada pelo IBGE, mostra que somente cerca de 20% das mães entre 15 e 19 anos ainda estudavam e elas são, em geral, de baixa renda, o que demonstra que jovens pobres e que não possuem boa educação a respeito do uso correto dos métodos contraceptivos e do planejamento familiar, assim como não têm a oportunidade de assistência médica e acesso aos métodos contraceptivos, estão mais propensas a uma gestação inesperada. Tal situação demonstra a inação governamental em relação à gravidez precoce, uma vez que é a falta de serviços básicos de responsabilidade do poder público que ocasiona esse grande problema.

Outrossim, a gestação na adolescência produz efeitos sociais, financeiros e profissionais negativos para toda a vida, tanto da mãe como do filho, além de riscos à saúde de ambos. Dessa forma, segundo o renomado médico Dráuzio Varella, a chance de problemas de saúde decorrentes da gravidez, como a elevação da pressão arterial ou crises de convulsão na mãe, e de prematuridade ou baixo peso ao nascer, são maiores em mães adolescentes. Ademais, os impactos sociais são irreparáveis, pois elas precisam parar um importante tempo de estudos e realizações profissionais. Isso evidencia a urgência de políticas públicas mais eficazes destinadas à prevenção da gestação precoce.

Por conseguinte, é factual a necessidade de que medidas sejam tomadas urgentemente por parte do Poder Público, sendo a saúde pública de sua responsabilidade. Desse modo, o Ministério da Educação deve conscientizar os adolescentes a respeito do planejamento familiar e do uso correto de métodos contraceptivos, através de campanhas nas escolas, mostrando os riscos da não utilização desses. Já o Ministério da Saúde deve criar projetos para acompanhar e orientar as jovens em situação de vulnerabilidade social, prevenindo a gestação. Desse modo, será possível diminuir os casos de gravidez na adolescência, dando às jovens pobres melhor qualidade de vida e oportunidades.