Gravidez na adolescência em evidência no Brasil
Enviada em 20/04/2020
Em 1988, foi promulgada a Constituição Federal do Brasil, que estabeleceu por sua vez o dever do Estado em garantir educação de qualidade e, consequentemente, o bem comum. Entretanto, no Brasil em pleno século XXI, tal direito é violado, visto que a população adolescente é acometida pela falta de educação sexual nas escolas e pelo bombardeamento assombroso de vídeos que estimulam a prática precoce das atividades sexuais. Diante disso, é necessário estabelecer que a ausência de orientações por parte das instituições de ensino e a venda de sexo pela mídia, transforma a gravidez na adolescência em um problema vicioso de saúde pública.
Primeiramente, é válido destacar que a carência de diálogos e aulas a respeito das práticas e riscos do exercício sexual na juventude é o principal antígeno causador dos números distópicos de gravidez. Na novela “Malhação - Viva a diferença”, é retratada a gravidez imatura da estudante Keyla, que por sua vez passou por inúmeros transtornos durante e após a gestação da criança. Logo, é fato inconteste que existe uma ineficiência grave da educação básica em subsidiar conhecimento prévio aos alunos, já que é comum situação de jovens estudantes que passam pela mesma situação da personagem. A gravidez precoce gera incontáveis impactos. Entre esses impactos, estão: evasão escolar, depressão e trabalho infantil.
Ademais, existe outro fator que implica nos alarmantes casos de gravidez entre os adolescentes brasileiros. A promoção de vídeos e fotos de conteúdos adultos pelos meios de comunicação de massa, principalmente pela internet, é um ato marcante na sociedade nacional. O filósofo da “Escola de Frankfurt”, Max Horkheimer, fundou o conceito de “Indústria Cultural”, que por sua vez faz referência a influência dos meios comunicativos nas práticas de consumo dos indivíduos. Com isso, os adolescentes consumirão os conteúdos impróprios disseminados pelos órgãos midiáticos e desfrutarão dos prazeres mostrados pelos mesmos, sem se preocuparem com as consequências futuras.
Fica evidente, portanto, que medidas precisam ser tomadas para atenuar o panorama histérico da gravidez adolescente no país. O Ministério da Educação juntamente com as escolas de todas as cidades deve, por meio de mudanças na BNCC (Base Nacional Comum Curricular), implementar aulas específicas de educação sexual, afim de que os jovens reconheçam práticas e métodos contraceptivos.
Cabe também ao Ministério da Justiça, através de parcerias com o órgão Humaniza Redes, implementar leis severas de punição aos sites que fornecem conteúdo adulto sem consulta do público consumidor, com o intuito de diminuir os atos precoces de sexo. Dessa forma, os índices de gravidez na adolescência serão reduzidos e o bem comum proposto pela Constituição será concretizado.