Gravidez na adolescência em evidência no Brasil
Enviada em 30/04/2020
É inegável que, dentre os problemas do Brasil hodierno,a gravidez na adolescência se faz presente.Em meio aos fatores causadores disso, destaca-se a grave vulnerabilidade social existente no país, bem como a falha das políticas de educação sexual.A combinação desses ocasiona o agravamento das mazelas já existentes, como as questões socioeconômicas e educacionais, e, portanto,deve-se discutir esse tema, a fim de resolvê-lo.
Para Freud, pai da psicanálise, uma das formas dispostas ao indivíduo para fugir de sua realidade é buscar o prazer.A partir disso, verifica-se que adolescentes em situação de vulnerabilidade social buscam uma fonte dele na prática sexual, para escapar de seus cotidianos marcados por violência e pela falta de acesso às garantias constitucionais básicas, como saúde, educação e lazer de qualidade.Essa prática, na grande maioria das vezes,é feita sem o uso de contraceptivos, devido a outro fator agravante, a falha das políticas de educação sexual. Essa acontece por diversos motivos, salientando-se a forte influência do conservadorismo e da religiosidade nas esferas de poder, já que grupos pautados por esses, com o intuito de reger toda a sociedade sob seu viés ideológico, dificultam o debate acerca do tema, sobretudo nas escolas, alegando, erroneamente, que essa discussão estimularia a prática de sexo libertinamente.
Consequentemente, verifica-se a ocorrência de cerca de 400 mil novos casos dessa gravidez no Brasil, segundo o Ministério da Saúde, agravando, assim, a já frágil condição social.Visto que os pais precoces têm de sustentar os filhos, muitos se veem obrigados a abandonar sua formação acadêmica,aumentando as taxas de evasão escolar,e,por conseguinte,têm prejuízos ao ingressar no mercado de trabalho,de acordo com relatório da Organização Mundial de Saúde, o que aprofunda as desigualdades socioeconômicas.
Tendo em vista o exposto, constata-se a necessidade de combater a gravidez na adolescência no país.Portanto, compete ao Estado, por intermédio dos órgãos de segurança pública, promover ações de combate à violência, e aumentar os investimentos sociais, garantindo,assim, aqueles direitos básicos, de modo a diminuir a vulnerabilidade social, e tornar a realidade menos carente de escapatória. Cabe a ele também, se sobrepor a interesses particulares e, por meio do Ministério da Educação , garantir políticas de educação sexual nas escolas,com a promoção de disciplinas as quais abordem essa temática,e campanhas de conscientização, e, pelo Ministério da Saúde, ampliar a distribuição de métodos anticoncepcionais,como preservativos e pílulas do dia seguinte, para a promoção da prática do sexo seguro.