Gravidez na adolescência em evidência no Brasil
Enviada em 03/05/2020
O documentário “Meninas”, dirigido por Sandra Werneck, apresenta a história de 14 garotas de baixa renda com 13 a 15 anos de idade, que engravidaram e tiveram suas vidas totalmente transformadas. Com efeito, essa realidade é fortemente presente no país, visto que, segundo a Associação Médica Brasileira, anualmente, cerca de 18% dos brasileiros nascidos são filhos de mães adolescentes. Consequentemente, põe-se em risco tanto o futuro dos genitores, quanto de seus filhos e de suas famílias. Logo, é necessária a melhor instrução dos jovens quanto à sexualidade, bem como a inserção do tema nos diálogos no ambiente familiar.
Inicialmente, é fundamental perceber a importância da educação psico-social do indivíduo, sendo ela determinante na definição de seu futuro. Quanto a isso, segundo o educador Paulo Freire, “se a educação sozinha não muda a sociedade, sem ela tampouco a sociedade muda”. Em consonância com essa ideia, entende-se que, na medida em que as taxas de escolaridade aumentam e é divulgado o tema da sexualidade ao jovens, melhor eles irão lidar com essa questão, e evitar-se-ão incidentes tais como a gravidez na adolescência. Prova disso são os efeitos da educação sexual difusa em países como a Dinamarca, onde as taxas de gestação juvenil é de apenas 2%.
Outrossim, além da escola, é imprescindível a atuação da família na conscientização dos jovens quanto a gravidez precoce. Nesse ponto, destaca-se que, segundo Sigmund Freud, pai da psicanálise, existem na sociedade diversos “tabus”: concepções que se sustentam ao longo das gerações e agem como um demarcador de limites sobre os indivíduos. Com isso, criam-se obstáculos que impedem a discussão de assuntos importantes no ambiente familiar, tais como a sexualidade, sobretudo na adolescência, devido ao constrangimento perante ao tema. Consequentemente, restringe-se o acesso dos jovens à informação, o que os conduz a tirar conclusões autônomas e equivocadas, como a de que o sexo não apresenta nenhum perigo e não requer nenhuma prevenção.
Portanto, é evidente que a gravidez precoce configura um problema social grave, o que faz necessárias medidas efetivas para que sua ocorrência seja mitigada. Assim, é preciso que o Ministério da Saúde, responsável pelas políticas de saúde em âmbito federal, em parceria com escolas, realize atividades e debates em salas de aula abordando o tema da educação sexual-reprodutiva, para que se dissemine o conhecimento a respeito do tema. Além disso, é necessário que a mídia promova a inclusão do assunto no ambiente familiar, por meio de filmes e reportagens que envolvam a questão, de modo que se desconstrua o tabu a cerca da sexualidade na adolescência. Dessa maneira, será possível evitar casos como mostrados em “Meninas” e assegurar um futuro próspero aos jovens brasileiros.