Gravidez na adolescência em evidência no Brasil

Enviada em 03/06/2020

A ONU estabeleceu a data 26 de setembro como o dia mundial de prevenção à gravidez na adolescência e lançou campanhas internacionais de educação sexual. Todavia, o combate proposto pelas Nações Unidas ainda está distante de ser eficaz no Brasil, na medida em que a gestação entre crianças e adolescente mostra-se persistente, corroborando a fragilização da saúde da jovem e a evasão escolar.

Em primeiro plano, a gravidez precoce coloca em risco a saúde da menina. A esse respeito, a formação uterina só ocorre por completo por volta dos 21 anos, quando a parede do útero - cientificamente conhecido como endométrio - finaliza a maturação. Logo, quanto menor for a idade da garota que engravida, maiores serão os riscos envolvidos seja para a mãe, seja para o bebê. Ocorre que a omissão da família, motivada pela vergonha ou pela religião, representa um obstáculo para a correta educação sexual dos filhos. Desse modo, enquanto a falta de diálogo for a regra, a prevenção à gravidez será a exceção.

De outra parte, a gestação no momento errado contribui significativamente para a saída de jovens da escola. Nesse contexto, de acordo com estudo da Fundação Abrinq, 30% das mães adolescentes, com até 19 anos, não concluíram o ensino fundamental. Tal cenário deixa claro que a gravidez precoce é um fator propagador de pobreza para a geração seguinte, já que ao deixar de concluir os estudos, a menina não terá acesso a bons postos de trabalho e, consequentemente, na maioria dos casos, constituirá uma família desfavorecida economicamente. Assim, não é razoável que a ausência de orientação sexual e políticas as quais incentivem a continuidade nos estudos impeçam a formação acadêmica da estudante.

Urge, portanto, medidas que garantem o bem-estar da menina e a sua permanência na escola. Dessa forma, a família precisa viabilizar a educação sexual desde os primeiros anos da infância, por intermédio de diálogos sobre sexualidade, realizados com frequência, a fim de que crianças e adolescentes deixem de ser suscetíveis à gravidez em momento errado. Por sua vez, as prefeituras devem promover a criação de creches em período noturno, por meio da disponibilização de verbas para contratação de funcionários e manutenção dos locais, para que as jovens retornem aos estudos e tenham com quem deixar o filhos. Ademais, as unidades básicas de saúde podem atuar na distribuição e orientação do uso de preservativos. Dessarte, a iniciativa da ONU acerca do combate à gravidez precoce será realidade no Brasil.