Gravidez na adolescência em evidência no Brasil

Enviada em 28/05/2020

No Paquistão, meninas ainda muito jovens são forçadas a se casarem, normalmente com um homem muito mais velho, pelos próprios pais; forçando-as a sacrificar a juventude pela maternidade e criação de filhos. Tristemente, a gravidez na adolescência é uma realidade em vários lugares do planeta, inclusive no Brasil, onde esse problema tem raízes culturais e sociais. Nesse contexto, a perpetuação dessa realidade reflete um quadro desafiador para a nação verde-amarela, seja pela cultura do funk, seja pela ineficiência familiar.

Mormente, é evidente que a cultura do funk tem se apresentado como um dos principais fatores no que tange à gravidez na adolescência no Brasil. Hodiernamente, esse estilo musical valoriza e incentiva seus ouvintes a adentrarem prematuramente na vida sexual, o que pode ser observado em suas letras que citam recorrentemente genitálias, sexo desprotegido e selvagem, posições sexuais e a valorização das “novinhas”, gíria para designar garotas muito jovens. Infelizmente, isso apenas intensifica o fenômeno da gravidez na adolescência, cujos principais afetados serão aqueles das camadas de intensa vulnerabilidade social, como as favelas, lugares onde ocorrem bailes funks com frequência

Outrossim, outro fator que contribui para o aumento da fertilidade na adolescência é o descaso familiar. A esse respeito, o sociólogo polonês Zygmunt Bauman afirma, em sua obra “Modernidade Líquida”, que algumas instituições, a exemplo da família, perderam sua função social, mas tentam conservá-la a todo custo. Dessa forma, pode-se a afirmar que a “liquidez” das relações interpessoais familiares contribui para intensificar tal panorama. Na carência de afeto familiar, a jovem busca acolhimento com outras pessoas, podendo-se envolver com indivíduos sem o menor senso de vivência social, os quais lhe apresentarão o primeiro contato com drogas e sexo. Tristemente, a carência de cuidado familiar apenas contribui para a intensificação desse fenômeno social oneroso.

Urge, portanto, uma solução definitiva para essa problemática. Para isso, cabe ao Ministério da Família, da Mulher e dos Direitos Humanos(MFMD), vinculado ao Ministério da Educação e Cultura(MEC), inserir na grade curricular do ensino fundamental uma matéria que aborde sexo e reprodução. Tal matéria deverá ser lecionada por um sexólogo o qual deve ser contratado pela instituição de ensino e deverá tratar de assuntos como virgindade, gravidez, sexo desprotegido, preservativos, maternidade e paternidade com os alunos. Assim, com jovens mais educados e atentos, será possível atenuar a gravidez na adolescência e ir a favor de uma juventude mais limpa e mais sensata.