Gravidez na adolescência em evidência no Brasil

Enviada em 09/06/2020

No filme “Preciosa”, da autora americana Ramona Lofton, é retratada a vida de uma jovem que sofre com uma gravidez precoce, concebida em um cenário de extrema instabilidade social. Analogamente à ficção, é lícito afirmar que, no Brasil contemporâneo, as jovens enfrentam a difícil realidade de serem mães muito cedo. Esse cenário antagônico é fruto tanto da supressão de educação sexual nas escolas, quanto do cenário de vulnerabilidade social em que essas jovens situam-se.

Precipuamente é fulcral pontuar que a maternidade precoce no Brasil deriva da falta de acesso integral à educação. Na série da Netflix “Sex Education”, os jovens britânicos auferem uma ajuda profissional, na escola, sobre educação sexual, sanando recorrentes dúvidas ligadas à formas de prevenção, anatomia dos órgãos sexuais etc. Entretanto, é contraditório no Brasil devido ao debate sobre sexo ainda ser um tabu na sociedade brasileira, ou por questões religiosas - cogitando o resguardo da sexualidade dos adolescentes - ou por questões familiares de evitar o “constrangimento” de discutir sexualidade com adolescentes. Tal virtude incita os jovens a buscarem orientação por meio da pornografia, dificultando o alcance à uma vida sexual saudável.

Ademais, é imperativo ressaltar a vulnerabilidade social como promotor do problema. Segundo o pensador Thomas Hobbes, o Estado é responsável por garantir o bem-estar da população. Em contraste com a realidade brasileira, o poder público inviabiliza políticas públicas em saúde para áreas pobres, impossibilitando que jovens tenham acesso à métodos contraceptivos, formas de prevenção, espectros sobre a crescente taxa de natalidade e até mesmo ingresso em postos de saúde. Dessa forma, todas essas problemáticas incapacitam os juvenis a tomarem as devidas precauções durante o ato sexual, tornando-se necessária a reformulação dessa postura estatal de forma urgente.

Assim, medidas exequíveis são necessárias para conter o avanço da problemática na sociedade brasileira. Logo, o Ministério da Educação deve instituir, nas escolas, palestras ministradas por psicólogos, que discutam a sexualidade, crescente taxa de natalidade entre as jovens brasileiras e principalmente o combate a gravidez precoce, incluindo as respectivas temáticas na grade curricular dos alunos entre 12 e 19 anos, a fim de que o tecido social se desprenda desse tabu assíduo: sexo. Outrossim, associado ao Ministério da Saúde, deve informatizar e disponibilizar, por intermédio de campanhas, a importância e o uso de métodos contraceptivos nas áreas mais vulneráveis, a fim de estreitar os casos de maternidade na adolescência para que esses jovens não vivam uma realidade angustiante, assim como na ficção de Preciosa.