Gravidez na adolescência em evidência no Brasil
Enviada em 10/06/2020
A série Gilmore Girls tem como uma das personagens centrais, Lorelai, uma mulher que engravidou com dezesseis anos e fugiu de casa pois não queria que a filha crescesse em uma família ausente. Apesar de ser uma obra ficcional, hodiernamente a gravidez na adolescência está em evidência no Brasil, em especial, devido à falta de relação entre escola e família, em consonância à desigualdade socioeconômica.
Em primeiro lugar, o artigo 227 da Constituição vigente enfatiza o dever da família e do Estado em garantir o direito dos adolescentes à educação e à saúde. Todavia, a realidade contrasta com a norma, visto que não há consenso entre essas instituições sobre a abordagem da educação sexual. Dessa maneira, o assunto é deixado sob responsabilidade apenas da família, ou simplesmente não é discutido - como fez a campanha do Ministério da Saúde, em 2020, contra a gravidez juvenil, na qual a única prevenção era abstinência sexual. Diante disso, perpetua-se gerações de “Lorelais” que, por causa da persistência do conservadorismo - o qual subjuga direitos e cerceia de tabus temas tão cruciais à vida das adolescentes -, poderão enfrentar tanto a gravidez, quanto a exposição às doenças venéreas.
Somado a isso, a desigualdade socioeconômica afasta os jovens daquela norma constitucional. Segundo a matéria do Portal Dráuzio Varella, as adolescentes em situação de vulnerabilidade social têm cinco vezes mais chance de engravidar que as ricas. Isso é causado pois aquelas não têm a mesmas oportunidades de acesso à internet, nem à educação de qualidade. Logo, a gravidez será um problema potencializado na vida dessas meninas por conta de situações relacionadas e que não saberão questionar exatamente pela falta de informação, como o abuso sexual e o casamento infantil - de acordo com a UNICEF, 26% das adolescentes casam antes dos 18 anos. A gestação nessa faixa etária, portanto, perpetua a pobreza e a opressão.
Destarte, os Ministérios da Educação e da Saúde devem se aliar aos estados e municípios no desenvolvimento de projetos que ocorram nas escolas e sejam tanto para crianças e adolescentes, quanto para os pais. Aos jovens, devem ser dadas aulas didáticas e interativas sobre educação sexual e gravidez; aos pais e filhos, reuniões ministradas por membros da escola, médicos e sociólogos, apresentando dados de gravidez na adolescência, causas e a importância não só de desmitificar as relações sexuais, como também a necessidade do diálogo na prevenção. Além disso, esse projeto deve se atentar às adolescentes em situação de vulnerabilidade. Assim, a gestação na adolescência poderá ser, somente, um problema da ficção.