Gravidez na adolescência em evidência no Brasil
Enviada em 15/06/2020
Na série Elite, é narrada a história de Marina, uma menina jovem, que ao se descuidar na prática de sexo, com o personagem Nano, tem como efeito uma gravidez inesperada. Fora da ficção, os adolescentes brasileiros tangenciam essa situação, com sexos sem preservativos que, por vezes, têm como produto uma gestação aliada a doenças sexuais. Para isso, tanto uma família com pensamentos anacrônicos como a falta de informação nas escolas corroboram esse cenário estarrecedor. Primeiramente, o núcleo parental não se compromete em controlar esse entrave. Trata-se de uma população que não ensina seus filhos a usarem preservativo como forma de “induzi-los” à abstinência sexual, por analogia a ideia do diplomata Maquiavel, o qual dizia que os fins justificavam os meios. Entretanto, esses “meios” se tornam um empecilho quando eles influenciam jovens a aprenderem essas situações, em vídeos pornográficos, que trazem a ausência do uso de camisinha como algo “legal”, fomentando pais precoces, abandonos escolares e, até mesmo, a contração de doenças sexuais. Logo, um homem deixar de alerta o filho, sobre medidas profiláticas no ato libidinoso, é um incentivo a gravidez juvenil e um alicerce para a continuação de casos como da série Elite.
Ademais, as instituições educacionais têm atitudes impulsionadoras desse caos. Essa situação é “trivial” na inexistência de debates, sobre a vida repleta de consequências, que um “simples” sexo sem proteção pode desencadear, faltam incentivos para mães adolescentes não deixarem a vida estudantil e, muitas vezes, quem promove esses entraves são pais com ideais retrógrados que não permitam debates sobre sexo na escola. Segundo o poeta Pablo Neruda, o indivíduo é livre para fazer suas escolhas, mas é um prisioneiro das consequências. Efeitos esses, quase sempre, irreversíveis, que se perpetuam em filhos indesejáveis, abandono de bebês, danos psicológicos ao menino(a), por não estarem preparados mentalmente para cuidar de criança, e uma perspectiva de ascensão social longínqua que, possivelmente, vai refletir nesse descendente, remetendo-se ao estamento medieval. Destarte, é mister que o Ministério da Saúde e o Ministério da Educação promova ações para conter os conceitos familiares retrógrados e a falta de informações nas escolas, sobre a gravidez precoce, com aumento de métodos contraceptivos e camisinhas nos postos de saúde, alertar nas redes sociais e televisões de como procurar o posto mais próximo e agir em casos de emergência, por meio de aplicativos que orientem esses jovens, e criar em zonas periféricas creches com financiamento governamental para evitar evasões do ambiente estudantil. Tal iniciativa deve ainda buscar ajuda de escolas e da seara midiática a fim de mostrar aos pais a importância que a educação sexual tem no estudante, com palestras e cartazes, assim, evitar-se-á a persistência das consequências de Neruda.