Gravidez na adolescência em evidência no Brasil

Enviada em 14/06/2020

O desenvolvimento dos contraceptivos, em meados de 1960, possibilitaram às mulheres a escolha de quando e se querem ter filhos. Contudo, a persistência do tabu social sobre o sexo, no Brasil, bem como as ações governamentais ainda conservadoras e ineficazes de contracepção auxiliam na continuidade da gravidez na adolescência, frequentemente não planejada, em evidência no país que  pode provocar danos sociais e psicológicos nas jovens, necessitando, portanto, ser superada.

Diante disso, é indubitável que a escassez de espaços de diálogo sobre as relações sexuais, especialmente nas escolas, esteja entre as causas dessa preocupante realidade nacional. Segundo Anísio Teixeira, intelectual brasileiro, as escolas são responsáveis pela mudança de atitudes. Nesse sentido, a falta de debate sobre o sexo e suas implicações, mas instituições de ensino, possibilita a permanência do tabu social quanto a tal tema entre os adolescentes e suas famílias, o que dificulta a orientação dos jovens a respeito das práticas sexuais seguras, a exemplo do uso de preservativo. Como consequência tem-se a manutenção da gravidez juvenil a qual eleva o índice de evasão escolar entre as meninas - 75% das adolescentes grávidas estavam fora da escola, segundo a PNAD 2013 - e, assim,  contribui para o ciclo de exclusão social dessas jovens, principalmente nas camadas carentes.

Outrossim, esse quadro é agravado pelas políticas ineficazes e frequentemente conservadoras de combate à maternidade juvenil. É raro a visualização de campanhas publicitárias direcionadas à gravidez na adolescência no Brasil. Esse descaso público, reflexo de uma política ainda tradicional, pautada em preceitos cristãos na atual gestão brasileiras - estabelecem a abstinência como principal meio de contracepção -  desestimula os jovens a buscarem orientação profissional quanto ao sexo seguro nos serviços de saúde, pelo medo do julgamento social, uma vez que, nesse cenário, tal ato passa a ser visto como pecaminoso, impróprio para a juventude, o que amplia os índices de maternidade precoce, agravando as vulnerabilidades juvenis.

Dessa forma, urge que o Estado brasileiro tome medidas diligentes que reduzam as taxas de gravidez na adolescência no país. Destarte, os Ministérios da Educação e o da Saúde devem criar espaços de diálogo sobre o sexo e suas consequências, nas escolas, por meio de um programa nacional de educação sexual com aulas ministradas por profissionais de saúde, mensalmente para os adolescentes e semestralmente para os pais, a fim de desmistificar essa temática e orientar os jovens quanto ao sexo seguro. Por fim, o governo federal deve, mediante à ampliação das campanhas midiáticas contra a gravidez juvenil e à divulgação dos vários tipos de métodos contraceptivos, tornar as políticas de enfrentamento dessa problemática mais eficazes e menos conversadoras.