Gravidez na adolescência em evidência no Brasil
Enviada em 17/06/2020
A obra ‘‘Clara dos Anjos, de Lima Barreto, relata a história de uma mulata de dezessete anos que cede às insistências de um sedutor e acaba engravidando. Apesar de ficção, esse livro aborda uma problemática contemporânea no Brasil: a gravidez precoce entre jovens. Nessa égide, esse fator se desencadeia, seja pela negligência das famílias, seja pela irresponsabilidade da população. Por esses motivos, subterfúgios devem ser encontrados para transpor essa infeliz realidade.
Torna-se imprescindível analisar, precipuamente, que as famílias têm um importante papel de dialogar com seus filhos sobre a educação sexual e ressaltar a importância do uso de preservativos. Contudo, nos tempos hodiernos, os familiares transferem essa responsabilidade educacional às escolas, as quais transferem de volta às famílias, fechando um ciclo inerte e sem valor educacional. Nessa conjectura, crianças e jovens crescem ser ter uma educação sexual efetiva, culminando para gravidezes em estágio precoce. Nesse cenário, consoante a Nelson Mandela, ex presidente sul-africano, a educação é a arma mais poderosa para mudar o mundo. Todavia, vê-se que o ensino necessário para essa transformação é exíguo e, por sua vez, ineficiente. Logo, enquanto não houver uma mudança, o País nunca atingirá o progresso.
Faz-se mister refletir, ainda, que muitos adolescentes não se preocupam em se precaver antes da atividade sexual. Destarte, essa faixa etária não pensa nas futuras consequências que esse ato irresponsável pode acarretar. Sob tal ótica, muitas das vezes, os familiares quem pagam o preço, posto que a maioria dos jovens não são financeiramente independentes e, por conseguinte, necessitam de suporte para seguir adiante com a gestação. Parafraseando o filósofo Platão, o importante não é viver, mas viver bem. Entretanto, esse pensamento é mal interpretado na sociedade atual, uma vez que os indivíduos pensam que viver bem é sinônimo de satisfazer as próprias vontades sem precisar ser racional quanto a elas. Dessa forma, medidas devem ser engendradas com veemência.
Sob o olhar físico de Isaac Newton, um corpo só é capaz de sair da inércia se uma força lhe for aplicada, dando sentido ao movimento. Urge, portanto, que o Ministério da Educação, em parceria com as famílias, realize uma educação sexual efetiva, por meio de debates e reuniões que aconteçam em ambiente escolar e tenham a presença dos pais, bem como a presença de profissionais sobre o assunto, com o fito de aumentar os cuidados na adolescência e evitar os consequentes riscos. Assim, garotas como Clara dos Anjos não serão mais vítimas da irresponsabilidade.