Gravidez na adolescência em evidência no Brasil

Enviada em 18/06/2020

David Hume, filósofo escocês, defendeu a ideia do raciocínio dedutivo, em que a repetição de um fato não conclui que ele irá se repetir indefinidamente. Assim, Hume apresentou suas teses com base na probabilidade e não na recorrência. Em contrapartida, na atualidade no que tange a gravidez na adolescência em evidência no Brasil, sua teoria não se fundamenta, uma vez que as gestações indesejadas entre os jovens são problemas sociais que se repetem. Dessa maneira, é necessário analisar as causas dessa questão, como a negligência governamental e a falta de consciência social.

Constata-se, a princípio, que a negligência governamental é fator relevante ante a resolução do cenário. Nesse sentido, Aristóteles criticou o sistema político quando disse que “a política é a única profissão da qual se pensa que não é necessária alguma preparação”. Efetivamente, em se tratando em questões como a gestação na juventude, percebe-se um total despreparo e demonstração de indolência e inércia por parte do estado. Nesse sentido não há nenhum tipo de preparação social sobre a questão, ocasionando diversas consequências das quais o próprio estado não consegue resolver. Sendo assim, é inaceitável que um país que detém uma das maiores taxas de impostos do mundo, não tenha planos para erradicar o revés.

Igualmente, é importante considerar que a falta de consciência social é fator coadjuvante em relação à matéria. Nessa lógica, Karl Marx teceu diversas críticas à atuação política e, em uma delas afirmou que “Não é a consciência social que determina o ser, mas o contrário, o ser social que lhe determina a consciência”. É notório portanto, que o Poder Público tem a obrigatoriedade constitucional de inteirar a sociedade sobre suas questões, como, por exemplo, sobre as consequências de uma gravidez precoce. Desse modo, quando assim não se faz, torna-se inaceitável, principalmente por se tratar de um país constitucionalmente garantidor de direitos sociais.

Destarte, é imperioso a resolução do impasse. Sendo assim, o Ministério da Educação, por meio das universidades, deve criar um projeto socioeducativo, com palestras e debates, para promover a conscientização social sobre as implicações dos altos índices de concepção na adolescência. Tais eventos devem ter alcance nacional, com transmissões ao vivo, para que se apresentem as principais questões do tema. Espera-se, dessa forma, que a população possa estar inteirada do assunto e que o problema possa ser minimizado, consumando sentido à teoria de Hume.