Gravidez na adolescência em evidência no Brasil

Enviada em 18/06/2020

A série americana “Gilmore girls” retrata a vida da personagem Lorelai, a qual engravidou aos 16 anos e fugiu de casa na tentativa de lidar com as críticas em seu círculo social. Para além do âmbito cinematográfico, os desafios no combate à gravidez na adolescência configura-se como lastimosa realidade brasileira. Por conseguinte, a continuidade da problemática engendra em prejuízos ao coletivo e, de fato, urge intervenções, no intuito de garantir os desenvolvimento integral dos jovens. Nesse ínterim, é fulcral elucubrar os fatores sociais, bem como o entrave histórico frente à perspectiva da sexualidade.

Em primeiro plano, notam-se os aspectos gregários acerca da gravidez precoce. Dessa feita, o documentário " Meninas", de Sandra Werneck, elucida histórias de diferentes adolescentes as quais apresentam em comum o perfil de baixa renda, pouca escolaridade e acesso limitado aos postos de saúde. Desse modo, diante de tal fato sócio-demográfico, pode-se relacionar à conjuntura, a inabilidade política em garantir ações educacionais efetivas nas comunidades, em conjunto com a distribuição gratuita de preservativos. Com efeito, a omissão Governamental nessas regiões reverbera o desconhecimento coletivo acerca da preservação da gravidez na adolescência.

Outrossim, cabe ressaltar o entrave cultural sobre a sexualidade. Nesse viés, conforme o levantamento feito pela comunidade de pesquisa “Scielo”, em 2018, ao analisar essa questão sobre um prisma estritamente histórico, o tabu relacionado à saúde reprodutiva dificulta a abordagem da educação sexual nos centros de ensino, fomentando casos de gestação precoce. Assim, a ausência de responsabilidade Estatal em facilitar o acesso à informação sobre a sexualidade, sobremodo no âmbito escolar, dificulta o desenvolvimento de temáticas sobre o planejamento familiar entre os jovens. Nessa perspectiva, manifesta-se a necessidade em reconhecer a educação sexual como imprescindível na grade curricular das escolas, no intuito de minimizar os casos de gravidez na adolescência.

Destarte, reafirmam-se os prejuízos sociais ocasionados pela gravidez precoce em evidência no Brasil. Logo, o Governo Federal deve elaborar ações educacionais sobre prevenção à gravidez indesejada nas comunidades, mediante parcerias com o Ministério de saúde, o qual desenvolva palestras acerca da temática, a fim de ampliar o letramento coletivo sobre a sexualidade. Ademais, cabe às Secretarias Municipais elaborarem encontros pedagógicos nas escolas à respeito da educação sexual, por meio de semanas de extensão, nas quais médicos discorram sobre os malefícios do planejamento familiar, a fim de evitar o óbice cultural sobre reprodução. Somente assim, a gravidez precoce tornar-se-á restrita ao âmbito cinematográfico.