Gravidez na adolescência em evidência no Brasil

Enviada em 30/06/2020

O documentário “meninas” retrata a realidade de jovens em situação de vulnerabilidade que engravidaram prematuramente. Embora trate de situações particulares, as histórias da produção dizem muito sobre o atual cenário brasileiro, no qual adolescentes se tornam mães e pais. Esta situação é causada pela falta de informações efetivas em relação ao tema, não ocorrendo a devida comunicação dentro dos dois principais locais de vivências dos jovens: a moradia e a escola.

Em princípio, é imperioso demonstrar como a omissão de pais em ambientes particulares contribui para a conjuntura exposta. Acerca disso, é pertinente trazer a análise do psicanalista Freud, na qual ele diz que, na adolescência, o jovem encontra-se envolto por uma grande energia sexual que precisa ser direcionada. Tendo não só as mudanças físicas, mas também há a percepção do outro como gerador de um prazer o qual sozinho não se tem. Todavia, algumas religiões, como as cristãs, determinam que o sexo é algo pecaminoso, não devendo ser praticado, senão para a reprodução. Assim, pouco, ou nada, debate-se com os jovens no que tange à vida sexual, havendo um forte silenciamento por parte dos responsáveis dentro do espaço privado, um dos principais locais de construção de saberes.

Outrossim, o modo como os territórios de ensino tratam da temática também pode ser apontado como um problema.  Segundo Paulo Freire, a escola tem o dever de levar às pessoas mais desfavorecidas meios para que elas compreendam sua situação e ajam em favor de sua libertação. Dessa forma, o educador expõe que as instituições de ensino necessitam, por exemplo, dialogar com os alunos sobre gravidez na adolescência; visto que só assim será possível os fazer entender as consequências de uma gestação precoce e o porque de uma maior problematização disto em contextos mais periféricos. Porém as conversas sobre isso na maior parte dos espaços de formação são superficiais e não apresentam a constância necessária.

Portanto, faz-se necessária a atuação do Ministério da Educação, em parceria com o Ministério Da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos, na promoção do diálogo entre pais, filhos e colégios sobre a gravidez antecipada. Isso pode ser feito com a realização bimestral de uma semana em que todas as escolas do Brasil, simultaneamente, realizem atividades voltadas para a conscientização de  pais e alunos sobre a questão, com a realização de palestras com psicólogos especialistas no assunto, cartazes, panfletos e apresentação de filmes. Sendo que os técnicos dos ministérios poderão elaborar planos possíveis sobre como as instituições podem promover o evento e sua programação. Como resultado a escola poderá transmitir informações precisas para os pais e alunos, incentivando também a comunicação em casa, e prevenindo que meninas e meninos se tornem pais ainda na adolescência.