Gravidez na adolescência em evidência no Brasil

Enviada em 19/07/2020

“O mais escandaloso dos escândalos é que nos habituamos a eles”. Essa afirmação da filósofa francesa Simone de Beauvoir serve de metáfora aos crescentes casos de gravidez na adolescência, uma vez que, por mais escandalosa que seja essa situação, poucos sãos os esforços destinados a resolvê-la. Indubitavelmente, tal conjuntura advém do conservadorismo enraizado no tecido social. Assim, entre os fatores que consolidam esse panorama, destacam-se a falta de informação entre os jovens, juntamente com a influência da religião no corpo social.

É fundamental perceber, a princípio, que a ausência de conhecimento, aliada ao tradicionalismo social, alicerça o atual cenário de aumento gestacional entre adolescentes. Isso ocorre porque a escola, por influência do núcleo familiar tende a desumanizar a educação, tendo em vista que os pais não possuem entendimento sobre os benefícios da educação sexual, nesse sentido, julgam desnecessário. Por consequência disso, a instrução é menosprezada. Essa concepção está em paralelo ao pensamento do filósofo Immanuel Kant, para qual a “A educação é a solução para todos os problemas contemporâneos”, já que a ausência de conhecimento aprofundará, ainda mais, os problemas da gravidez precoce.

Além disso, a religião somada ao conservadorismo, solidifica o contexto de gravidez na adolescência. Esse quadro advém a ideologia veiculada pela religião desempenha um papel regulador dos comportamentos humanos, nesse sentido, condenam praticas voltadas a sexualidade, tornando o acesso a informação insocial e profano. Tal pensamento assemelha-se a frase do filósofo Michael Foucault, o qual demostra como coerção social o direito socialmente compartilhado de vigiar os indivíduos que fogem das condutas previamente estruturadas, haja visto que o conservadorismo é um abismo para a diminuição dos casos de gravidez na adolescência.

Diante do exposto é importante compreender que o tradicionalismo é o cerne para perpetuação da gravidez na adolescência no Brasil. Dessa forma, a fim de amenizar esse quadro, o governo federal em parceria com seus órgãos e ministérios, deve criar um Programa Nacional da Erradicação da gravidez entre jovens, que propusesse, junto ao congresso, a criação de leis que alterassem as Diretrizes Curriculares Nacionais ao acrescentar obrigatório aulas para o ensino médio e fundamental com profissionais da saúde; psicólogos e biólogos, com o intuito de aumentar a criticidade dos discentes. Ademais, é vital que se programa crie um Fundo de Investimentos que financie e os métodos contraceptivos para as mulheres. Espere com essas medidas que a diminuição dos casos de gravidez precoce deixe de ser apenas uma idealização social.