Gravidez na adolescência em evidência no Brasil

Enviada em 03/07/2020

O filme “Preciosa” expõe a triste realidade de uma adolescente de grande vulnerabilidade social que é abusada sexualmente por seu pai e acaba por engravidar. Não distante da ficção, ainda existem muitos casos de gravidez indesejada durante a adolescência no Brasil e no mundo. Assim, é fundamental que sejam levantadas pautas sobre esse assunto, de forma a compreender as principais causas de sua ocorrência, para garantir que haja uma mudança nesse cenário de gravidez precoce que força jovens meninas a se tornarem mulheres com grandes responsabilidades.

Em primeiro lugar, é possível perceber que a desigualdade social é grande responsável pela desinformação, que é a maior causa da gravidez precoce. Ainda que existam os meios tecnológicos de informação, como a internet, cerca de 25% da população brasileira não possui acesso a eles, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Dessa forma, essas pessoas dependem da educação transmitida pela família e pela escola. Porém, uma falsa crença presente na sociedade, de que a instrução forçará os adolescentes a se tornarem sexualmente ativos, faz com que não ocorra educação sexual na escola e, muito menos, uma conversa acerca do assunto dentro de casa. Com isso, muitas adolescentes, principalmente de classes sociais desfavorecidas, ficam grávidas.

De forma consecutiva, uma gravidez não planejada durante a adolescência é capaz de acentuar ainda mais as situações de vulnerabilidade social. Como, ao engravidar, muitas jovens precisam abandonar seus estudos, elas acabam por não conseguir ingressar no mercado de trabalho formal, visto que, no mundo capitalista contemporâneo, uma alta qualificação é requerida para os empregos. De acordo com o Fundo de Populações das Nações Unidas, a maior porcentagem de gravidez na adolescência vem a ser de classes mais pobres. Dessa forma, sem a opção de depender financeiramente da família, elas acabam sendo destinadas a subempregos, submetidas a exploração trabalhista e recebendo salários extremamente precários, mantendo-se a nítida desigualdade social.

Logo, é inegável que existe urgência de modificação desse cenário em que jovens já se tornam mães, buscando focar nas principais causas para sua ocorrência. Dessa forma, o Ministério da Saúde, em parceria com o Ministério da Educação, deve garantir a implementação da educação sexual no âmbito escolar, para assegurar minimização da desigualdade do acesso à informação. Isso pode ocorrer através do programa “Saúde na Escola”, que articula educação e saúde, através de conversas interdisciplinares com profissionais da saúde. Assim, as adolescentes poderão concluir sua graduação  sem uma gravidez indesejada e, também, modificar as situações de desigualdade e vulnerabilidade social, garantindo, por fim, que situações como a de “Preciosa”, não mais se apliquem à realidade.