Gravidez na adolescência em evidência no Brasil
Enviada em 23/07/2020
No documentário “Meninas: Gravidez na adolescência”, no ano de 2006, é acompanhada a rotina de três adolescentes grávidas que residem em diferentes periferias do Rio de Janeiro, onde é retratado o cotidiano dessas jovens em meio às consequências da maternidade prematura. No entanto, o que se observa nos tempos atuais não se difere dos fatos ocorridos no documentário, uma vez que é evidente a persistência e o aumento de casos como esses no Brasil. Nesse contexto, tal problemática se dá, principalmente, devido à falta de informação e a idealização da família perfeita, e necessita de medidas urgentes para que a questão seja mitigada.
Em primeiro lugar, é fulcral pontuar que a falta de informação é uma das maiores preocupações nas áreas mais pobres -local onde se concentra o maior número de casos de gravidez na adolescência-. A Agência Nacional dos Direitos da Infância (ANDI), diz que jovens de baixa renda engravidam sem desejar, por falta de acesso a contraceptivos, desinformação ou abuso sexual. A ausência de um ensino de qualidade resulta em adolescentes mal informados sobre os principais assuntos que devem ser abordados durante a puberdade, resultando, por exemplo, no despreparo ao ter uma relação sexual e não souber ao mínimo sobre doenças sexualmente transmissíveis e o uso de diferentes métodos contraceptivos.
Ademais, é imperativo ressaltar que a idealização precoce da família perfeita mostra uma realidade ilusória. Muitas jovens, por decisão própria ou influência familiar, deixam de se proteger por estarem certas de terem encontrado um “príncipe encantado” em suas vidas, e os bebês seriam os instrumentos para apressar a união. Em muitas situações, jovens de 16 anos possuem no mínimo 2 filhos sem uma figura paterna presente, sendo algo considerado normal em muitas cidades brasileiras, assim levando uma hierarquia despreparada para a vida materna. Como consequência disso, o número de mortes em trabalho de parto e por abortos clandestinos também cresce com o número de gestantes.
Em suma dos argumentos apresentados, devem ser tomadas medidas. Logo, a fim de mitigar essas problemáticas, o Tribunal de Contas da União deve encaminhar renda por meio do Ministério da Educação destinado à realização de palestras com especialistas em sexualidade juvenil em escolas de nível médio, de forma que instruem os jovens e suas famílias sobre a importância da responsabilidade sexual. Além disso, o Ministério da Saúde deve realizar campanhas de divulgação de métodos contraceptivos e organizar uma distribuição gratuita de camisinhas pelas periferias de todo o Brasil, para que as jovens da nossa sociedade possam ter a oportunidade de aprender sobre si mesmas.