Gravidez na adolescência em evidência no Brasil

Enviada em 19/08/2020

No filme “Que horas ela volta?”, Jéssica é uma adolescente que teve um filho e precisou se mudar para São Paulo a fim de estudar e prestar vestibular, o que a afastou da criança. Fora das telas de cinema, a gravidez na adolescência também se faz presente no país, problemática que coloca sobre a gestante uma responsabilidade inesperada e, muitas vezes, insustentável. Nesse contexto, tal questão decorre da carência de informações relativas à vida sexual, principalmente em locais vulneráveis, e os frágeis relacionamentos intrínsecos à contemporaneidade.

Em primeiro plano, é inegável a importância de instruções adequadas na escola e em casa para uma conduta mais saudável por parte dos adolescentes. Diante disso, segundo Relatório da ONU (Organização das Nações Unidas), para cada mil jovens brasileiras entre 15 e 19 anos, 62 delas engravidam, o que, em grande parte, deve-se à escassez de informações acerca de métodos contraceptivos e doenças sexualmente transmissíveis nas instituições de ensino, especialmente as de locais carentes, bem como uma conversa entre pais e filhos sobre o tema.  Assim, nota-se que tal abordagem ainda é vista como um tabu, de forma que a falta desse diálogo pode trazer consequências graves, como a gravidez precoce.

Ademais, a liquidez dos relacionamentos amorosos na contemporaneidade, como aponta o sociólogo Zygmunt Bauman, é outro fator pertinente para esse quadro. Nessa conjuntura, não é raro que uma adolescente entre em uma relação na qual o parceiro só busque a prática sexual sem compromisso e responsabilidade, como, por exemplo, a não utilização de preservativos, o que culmina na gravidez da jovem. Além disso, nota-se que, por se tratar de uma relação frágil, frequentemente o pai não assume a criação do filho, o que prejudica a infância da criança, a qual cresce na ausência de um dos genitores.

Portanto, é mister que o Estado tome providências cabíveis para solucionar o problema. Destarte, cabe ao Ministério da Educação criar um plano de ensino que promova aulas conjuntas entre professores de biologia e sociologia nas escolas, de modo que sejam abordados assuntos como prevenção da gravidez na adolescência e impactos sociais desta, com o fito de conscientizar os alunos. Por fim, os pais devem orientar seus filhos, com o apoio de psicólogos disponibilizados pela escola, acerca de relacionamentos amorosos, indicando condutas corretas, bem como a época ideal para iniciá-los, no intuito de evitar situações semelhantes as da personagem Jéssica.