Gravidez na adolescência em evidência no Brasil

Enviada em 19/07/2020

No livro “Cem anos de solidão”, do escritor Gabriel Garcia Marques, é retratada a personagem Remedios que se casa com Aureliano ainda muito jovem e morre após o casamento devido a uma gravidez de risco. Infelizmente esse acaba sendo o fim de muitas jovens que engravidam muito cedo, pois o corpo não está totalmente idôneo para uma gestação. Nesse contexto, observa-se que gravidez na adolescência em evidência é um grande problema no Brasil, devido não só pela escassez de educação sexual por parte da família e da escola, mas também por conta da falta de acesso e de informação sobre os métodos contraceptivos.

A priori, convém ressaltar o quanto a escassez de educação sexual por parte da família e da escola contribui para a existência da questão. A série americana “Sex Education” humaniza o assunto do sexo na adolescência e deixa claro que a chave para quebrar seus tabus é a compreensão e a comunicação. Ao contrário do que a maioria das famílias fazem ao enxergar seus filhos como eternas crianças. Outrossim, a escola, intuição também responsável pela formação do indivíduo, pouco orienta seus alunos e tal problemática parece ter relevância apenas quando afeta os índices de evasão escolar.

Ademais, é importante destacar a falta de acesso e informação sobre os métodos contraceptivos como um dos complicadores do problema que afeta, sobretudo, meninas pobres e menos escolarizadas. Segundo o IBGE, em 2014, 17,4% de cada mil mulheres adolescentes tinham ao menos um filho e viviam nas regiões economicamente menos desenvolvidas do país. Consequentemente, a ausência de orientação por profissionais da saúde, antes mesmo do início da vida sexual, bem como de recursos para aquisição de métodos contraceptivos, que nem sempre são disponibilizados pelo sistema público, contribuem para a alta prevalência dos casos no país.

Portanto, algo precisa ser feito com urgência para amenizar a questão. Logo, o Ministério da Educação deve incluir, na grade escolar, uma disciplina voltada à educação sexual para adolescentes. Para tanto serão realizadas palestras com profissionais da saúde, depoimentos de mães que interromperam os estudos para cuidar de seus filhos, assim como a entrega periódica de preservativos. O fito de tal ação não é incentivar a prática de relação sexual, mas sendo algo inevitável, deve ser realizado de forma segura e responsável. Além disso, a própria escola deveria chamar a atenção dos pais, durante as reuniões pedagógicas, sobre a importância de conversem abertamente com seus filhos sobre o assunto. Assim, muitas jovens deixarão de compartilhar o desfecho trágico de Remedios.