Gravidez na adolescência em evidência no Brasil
Enviada em 17/08/2020
O Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) é a legislação que garante aos infantes e aos jovens brasileiros vários direitos primordiais para a vivência social. Inclusive, ela apresenta, dentre outras prerrogativas, a Semana Nacional de Prevenção da Gravidez na Adolescência. Contudo, verifica-se que essa campanha ainda não é suficiente para que a quantidade de meninas com gestações indesejadas seja diminuído. Por isso, é imperioso a mitigação desse impasse, uma vez que ele pode ser gerador de conflitos geracionais, além de dificultar os planos pessoais das jovens mães.
Sob um primeiro viés, é válido ressaltar que, muitas vezes, os familiares das adolescentes lidam negativamente com essa situação. Nesse sentido, esse panorama é apresentado no seriado americano “Gilmore Girls”, no qual a jovem Lorelai sente-se obrigada a sair da casa de seus pais, pois eles não aceitavam o fato de que ela teve uma filha na adolescência. Do mesmo modo, essa não aceitação da família também acontece com inúmeras jovens brasileiras. Por conseguinte, as adolescentes têm muito mais dificuldades para conseguirem suporte médico e psicológico, por causa da ausência familiar.
Outrossim, as jovens gestantes também precisam reformular os seus planejamentos na vida, no âmbito estudantil e no mercado de trabalho. Isto posto, esse paradigma também é presente no filme nacional “Que horas ela volta?”, no qual a jovem nordestina Jéssica precisa deixar seu filho com conhecidos para poder realizar um concorrido vestibular em São Paulo. Dessa forma, constata-se que esse cenário é semelhante ao de muitas meninas brasileiras, as quais precisam conciliar responsabilidades. No entanto, é visível que essa tarefa é árdua, pois elas costumam ser bastante discriminadas por esse motivo.
Depreende-se, portanto, que é indispensável minimizar a recorrência de gestações na adolescência. Para isso, urge que o Ministério da Educação, em parceria com o Ministério da Saúde, consolide as aulas de educação sexual desde os anos finais do Ensino Fundamental, as quais expliquem detalhadamente os métodos preventivos e contraceptivos aos jovens estudantes. Ademais, essa medida se efetivaria por meio de cursos de capacitação ofertados aos professores e teria o fito de evitar os transtornos que a gravidez precoce causa na vida das adolescentes. Assim, finalmente, o Brasil se aproximaria dos objetivos propostos na Semana Nacional de Prevenção da Gravidez na Adolescência.