Gravidez na adolescência em evidência no Brasil

Enviada em 31/07/2020

Há 13 anos atrás estreava nos cinemas o filme “Juno”. A obra cinematográfica aborda a história de Juno, uma garota de 16 anos que descobre estar grávida após sua primeira sexual, desprotegida, com seu melhor amigo. Como na ficção, a realidade de meninas brasileiras que passam por gravidez precoce ainda é muito comum e persiste. Esse fenômeno decorrente, sobretudo, da falta de conhecimento dos adolescentes das práticas sexuais pela carência de ensino nas escolas ou diálogo a respeito do tópico no âmbito familiar, tem consequências gravíssimas como a alta taxa de evasão escolar.

Em primeiro lugar, deve-se levantar as causas que levam a gravidez precoce. Assim, identifica-se que a raiz do problema é a falta de conhecimento por parte dos adolescentes das práticas sexuais seguras. Isso porque há carência, não só, de ensinamento apropriado em escolas, como também do debate sobre sexo no âmbito familiar. Esses percalços, relações sexuais desprotegidas, entre outros fatores, acabam eclodindo em uma realidade amarga: 16% de todos os nascimentos no ano de 2016 vinham de mães com idade entre 15 e 19 anos, segundo dados do Sistema de Informações Sobre Nascidos Vivos (Sinasc).

Em seguida, há de debater a respeito da consequências que uma jovem enfrenta ao passar por uma gravidez precoce. Entre as decorrências desse fenômeno está principalmente a evasão escolar. Isso é visto nos números divulgados em 2016, de um estudo feito pelo Ministério da Educação em parceria com a Organização dos Estados Ibero-Americanos (OEI) e a Faculdade Latino-Americana de Ciências (Flacsol). Tais dados mostram que 18% da evasão escolar é causada por gravidez na adolescência, comprovando uma triste realidade que necessita ser mudada.

Dessa forma, faz-se necessárias ações que diminuam a ocorrência de gravidez precoce no Brasil. Entre essas ações deve estar uma parceria entre o Ministério da Educação e o Ministério da Saúde. Essa colaboração teria como fim promover uma cartilha que prioriza a educação sexual nas escolas. Tal cartilha auxiliaria professores no ensino de, entre outros tópicos, métodos contraceptivos e segurança no ato sexual. Essa medida, deve atingir, também, as famílias, que receberiam palestras mensais nas mediações escolares que teriam o fim de auxiliá-las a tratar de assuntos sexuais com seus filhos. Assim, haverá a redução de um fenômeno tão prejudicial a vida de tantas jovens.