Gravidez na adolescência em evidência no Brasil
Enviada em 13/08/2020
O filme “Preciosa, uma história de esperança”, retrata o cotidiano da personagem Clairecee, uma jovem que sofre abusos no seio da família e, com apenas 16 anos, está grávida pela segunda vez. Nesse sentido, fora das telas, percebe-se que, no Brasil, a gravidez na adolescência se mostra um assunto negligenciado. Dessa forma, é necessário analisar de que forma a falta de diálogo e a despreocupação fomentam o problema.
Primeiramente, é preciso destacar a restrição do diálogo como um dos pilares do empecilho. Nesse contexto, para muitas famílias, geralmente as mais conservadoras, falar sobre sexo ainda é um tabu, conceito que, segundo Freud, reprime os indivíduos, dificultando a conversação e silenciando o adolescente. Convém lembrar ainda que ocorre um processo de terceirização, no qual a responsabilidade pela educação sexual é transferida para a escola. No entanto, as instituições de ensino apresentam uma estrutura engessada, haja vista que são abordados apenas aspectos biológicos, deixando em segundo plano o planejamento familiar e o risco de uma gravidez precoce, perpetuando a desinformação juvenil.
Somado a isso, a Revolução Técnico Científico Informacional mudou a forma como as pessoas se relacionam, aproximando no virtual e distanciando no físico. Nessa perspectiva, para o sociólogo Zigmund Bauman, as relações tornaram-se “conexões”, nas quais, o jovem, buscando satisfazer um prazer momentâneo, age por impulso sem se preocupar com as consequências de seus atos. Decerto, corroborando os dados apresentados pela Universidade Federal de São Paulo, que apontam que 73% dos adolescentes não utilizam preservativo na primeira relação sexual, atitude essa, que, além de elevar a chance de uma gravidez indesejada, pode causar doenças sexualmente transmissíveis.
É evidente, portanto, que medidas precisam ser tomadas, a fim de minimizar o número de gravidezes na adolescência. Nesse sentido, o Ministério da Educação pode criar semanas dedicadas à educação sexual, nas quais profissionais da área médica serão convidados a dialogar com os discentes, perpetuando um ambiente de debates, de forma a esclarecer as dúvidas e garantir o acesso a informações corretas. Ademais, o Ministério da Saúde pode instalar máquinas de preservativos nas escolas, buscando assegurar o alcance a ferramentas de prevenção. Dessa forma, atenuando o número de Jovens com o mesmo dilema da personagem.