Gravidez na adolescência em evidência no Brasil

Enviada em 01/08/2020

O livro “Simplesmente Acontece”, da escritora Cecilia Ahern, retrata a vida de Rosie: uma garota prestes a ir para a faculdade dos seus sonhos, mas que, devido a uma gravidez não planejada, precisou desistir da vida universitária e mudar todo o seu futuro. Fora da ficção, a realidade de Rosie é também a de muitas jovens brasileiras. Nesse contexto, seja pelo tabu em falar do assunto por heranças históricas, seja pela negligência estatal, a gravidez na adolescência é um grande desafio no país e merece um olhar mais crítico de enfrentamento.

Primeiramente, é primordial ressaltar o papel do processo colonizador nessa questão. A chegada dos portugueses ao Brasil foi fundamental para enraizar as tradições cristãs que, pelo ideal da castidade, concretizou o tabu acerca de falar a respeito da sexualidade para adolescentes, tanto no núcleo familiar quanto em sociedade. Dessa forma, tal evasão ao assunto faz com que os jovens busquem informações em fontes não confiáveis, o que resulta em relações sexuais sem o uso de métodos contraceptivos, aumentando, assim, o risco de contrair doenças e de ter uma gravidez precocemente. Diante disso, percebe-se que a falta de debate sobre o tema gera riscos à saúde, como também compromete o planejamento de vida dessas garotas.

Ademais, é importante salientar a negligência do Estado como um somatório para a problemática, uma vez que é o seu papel garantir os direitos assegurados pelo Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA). Apesar de disponibilizar gratuitamente preservativos e anticoncepcionais nos postos de saúde, a falta de instrução leva os jovens a não utilizarem esses produtos, o que dificulta na realização de relações sexuais seguras. Nesse sentido, o filósofo Habermas traz uma contribuição relevante ao defender que a linguagem é uma verdadeira forma de ação. Desse modo, para que um problema como a gravidez na adolescência seja resolvido, faz-se necessário debater sobre ele. No entanto, observa-se uma lacuna no que se refere a essa questão, que ainda é muito silenciada. Assim, trazer à pauta esse tema e debatê-lo amplamente aumentaria a chance de atuação nele.

Portanto, é fundamental que medidas sejam tomadas. Cabe ao Ministério da Educação, enquanto regulador das políticas educacionais do país, em parceria com as escolas, implementar um eficaz programa de educação sexual no ambiente escolar, por meio de aulas e palestras, abertas para os alunos e familiares, a fim de evitar a gravidez precoce nos jovens. Além disso, cabe ao Governo Federal, enquanto instância máxima de administração executiva, realizar campanhas informacionais acerca dos riscos das relações sexuais não seguras, por meio dos veículos de comunicação, com o intuito de evitar que haja mais casos como o de Rosie e de assegurar os direitos postulados pelo ECA.