Gravidez na adolescência em evidência no Brasil
Enviada em 03/08/2020
O mito da caverna, de Platão, descreve a situação de pessoas que se recusavam a observar a verdade em virtude do medo de sair de sua zona de conforto. Em alusão à citação, percebe-se que a realidade brasileira caracteriza-se com a mesma problemática no que diz respeito aos altos índices de gravidez precoce, visto que no Brasil, em 2015, foram cerca de 574 mil crianças nascidas vivas de mães entre 10 e 19 anos, conforme dados divulgados pelo Ministério da Saúde. Nesse sentido, é preciso que estratégias sejam aplicadas para alterar essa situação, que possui como causas: a falta de conhecimento e a carência de debate.
A princípio, a falta de conhecimento apresenta-se como um complexo dificultador. Nesse contexto, o filósofo Schopenhauer defende que os limites do campo de visão de uma pessoa determinam seu entendimento a respeito do mundo. Diante dessa perspectiva, se o público jovem não tem acesso às informações necessárias de métodos contraceptivos para prevenir a gravidez não planejada, sua visão será limitada. De acordo com o médico Drauzio Varella, a maioria da população jovem não conhece todas as medidas preventivas que os hospitais da rede pública oferecem, realidade alarmante que dificulta a erradicação do problema.
Outro pronto relevante nessa temática é a carência de debate. Desse modo, Habermas traz uma contribuição importante ao defender que a linguagem é uma verdadeira forma de ação. Diante disso, para que a taxa de gravidez precoce seja reduzida, é preciso debater sobre. No entanto, percebe-se uma lacuna no que se refere a essa questão, uma vez que há pouca discussão nas escolas sobre as consequências psicológicas, sociais e físicas que podem atingir as adolescentes durante e depois da gestação. Assim, trazer à pauta esse tema e debatê-lo amplamente diminuiria a chance de uma gravidez indesejada e arriscada.
Logo, medidas estratégicas são necessárias para alterar esse cenário. Como solução, é preciso que as escolas, em parcerias com a prefeitura, promovam um espaço para rodas de conversa e debates sobre a gravidez na adolescência e suas consequências, bem como realçar a importância da utilização dos métodos contraceptivos no ambiente escolar. Tais eventos podem ocorrer no período extraclasse, contando com a presença dos professores e dos profissionais da área de saúde. Ademais, esse acontecimentos não devem se limitar aos alunos, mas ser abertos à comunidade, a fim de que mais pessoas compreendam questões relativas a esse panorama preocupante e se tornem cidadãos mais atuantes na busca de resoluções.