Gravidez na adolescência em evidência no Brasil

Enviada em 12/08/2020

Na obra pré-modernista “Triste fim de Poliquarpo Quaresma”, do escritor Lima Barreto, o major Quaresma, grande admirador do país, acreditava que, se superados alguns desafios, o Brasil alcançaria o patamar de nação desenvolvida. Hodiernamente, fora da literatura, percebe-se que tal horizonte literário não mimetiza a realidade atual, visto que o tecido social brasileiro ainda enfrenta sérios problemas, dentre eles o avanço da gravidez precoce na adolescência. Esse âmbito de iniquidade é fruto tanto da vulnerabilidade social quanto do silenciamento parental.

Deve-se analisar, primeiramente, que a desigualdade social é um fator determinante para problemática. Segundo o sociólogo Sérgio Buarque de Holanda, o conhecimento deve estar vinculado aos problemas do presente. Nesse sentido, constata-se que o Brasil, que é uma das maiores potências econômicas do mundo, falha em promover a igualdade, uma vez que, apesar de ser um país rico, é notório o número de pessoas marginalizadas. Dessa forma, tal negligência resulta em jovens vulneráveis, na proporção que não possuem acesso a uma educação e estabilidade financeira de qualidade, possibilitando, dessa maneira, o enfrentamento da vida sexual. precocemente. Consoante a isso, de acordo com o PNAD, 83% das adolescentes que são mães não estudaram e nem trabalharam.

É vital evidenciar, ainda, que a gravidez na adolescência encontra terreno fértil no silenciamento parental. Acerca dessa assertiva, Habermas faz uma contribuição que a linguagem é uma verdadeira forma de ação. Sob essa óptica, para que haja a prevenção da gestação antecipada, é necessário discutir sobre. No entanto, verifica-se certa lacuna no que se refere a essa questão, que ainda é muito silenciada, pois os responsáveis se mantém passivos e calados diante tal problematização, além do que, conforme o levantamento do Ministério da Saúde, um dos contribuintes para a gravidez precoce é a falta de conversação domiciliar sobre as relações sexuais na adolescência. Nessa lógica, trazer à parte essa patologia e debatê-la, amplamente, aumentaria a chance de atuação nela.

Portanto, pela perspectiva de Isaac Newton, uma força só é capaz de sair da inércia se outra lhe for aplicada. Em vista disso, depreende-se o Poder Público, como instância máxima da administração executiva, em consonância com a secretaria  especial do Ministério da Saúde, por meio de ações: palestras, propagandas televisíveis, publicações em redes sociais e bate-papos nos centros urbanos, orientar toda parcela jovem significativa sobre a importância da preservação nas relações sexuais, para que, de tal forma, a gravidez precoce na adolescência  possa ser excluída, sendo evitada devidamente, possibilitando, desse modo, a introdução desses jovens nos ciclos escolares e econômicos brasileiros. Somente, assim, os ideais do major Quaresma poderão ser evidenciados na nação.