Gravidez na adolescência em evidência no Brasil

Enviada em 13/08/2020

“No filme “Preciosa”, a personagem principal sofre com a gravidez precoce concebida em um episódio de extrema vulnerabilidade,na qual, com 16 anos, dá a luz ao seu segundo filho. Apesar da pouca idade, a jovem enfrenta muitos empecilhos, tais como o preconceito, a discriminação e a perda de perspectiva para o futuro. Fora da ficção, no Brasil, muitas adolescentes têm sido envolvidas por essa realidade, através de conflitos que estão agregados desde a infância e que perpetua-se na maternidade antecipada. Dessa forma, os desafios são inúmeros quanto aos problemas relacionados a gravidez na adolescência, principalmente devido à falta de informação, ocasionando diversas consequências.

Em primeira análise, convém frisar a extrema importância de destacar a fase adolescente como um período da vida rico em manifestações emocionais, caracterizados por mudanças de valores e desenvolvimento físico, mental, e social. Nesse sentido, segundo o célebre filósofo francês Immanuel Kant, o ser humano é fruto da educação e,com o desprovimento da disciplina sexual, o reconhecimento sobre a sexualidade fica deturpada, reverberando no problema da gravidez antecipada. Sob essa ótica, a falta de conhecimento dos métodos contraceptivos nas escolas,e como usá-los, além de orientações relacionadas à prevenção de doenças sexualmente transmissíveis, gravidez e experiências sexuais traumáticas, perpetua-se no cotidiano das jovens. Em virtude disso, de acordo o Banco Mundial, o Brasil ocupa o quadragésimo novo lugar, no que se refere a gestação por adolescentes, afetando assim diretamente o bem-estar e o futuro dessas meninas.

Ademais, são evidentes as consequências que a ausência de informação sobre educação sexual acarreta na vida dos jovens. Sob essa perspectiva, as relações sexuais começam cada vez mais cedo, conforme dados do site Politize, em média aos 15 anos de idade, de forma não planejada foram 72,7% dos casos. Nesse viés,a gravidez não planejada altera drasticamente a rotina dessas adolescentes, já que a maioria delas abandonam os estudos para cuidarem dos filhos, o que propaga a evasão escolar dessas menores, além de aumentar os riscos de desemprego e da dependência econômica familiar. Sendo assim, ocorre a limitação no desenvolvimento social e pessoal das gestantes.

Portanto, faz-se necessária a realização de medidas atenuantes. Assim, cabe aos setores midiáticos, o papel de difundir campanhas publicitárias, com intuito de orientar os jovens sobre o uso de preservativos, e a importância da conscientização, por meio de plataformas de ampla visibilidade, de modo a levar esse conhecimento aos lares, já que a maioria destes possuem um tabu quanto aos assuntos de sexualidade, a partir da ajuda de médicos, de forma a divulgar conteúdos relacionados a prevenção, para que haja uma ampla mobilização, a fim de mitigar os casos de adolescentes grávidas.