Gravidez na adolescência em evidência no Brasil
Enviada em 16/08/2020
A série televisiva “Sex Education” retrata a dinâmica adolescente em relação à vida sexual. Na trama, o protagonista Ottis, é pago por outros alunos de sua escola para atuar como terapeuta sexual. Infelizmente, a ficção aproxima-se da realidade neste aspecto, haja vista que, no Brasil, existe uma grande estigmatização da temática da sexualidade, que, somada à ineficiência do sistema de saúde, neste sentido, contribuem para os expressivos números de grávidas adolescentes no país.
A priori, é importante analisar a questão pelo seu viés histórico, pois, apesar do mundo vivenciar, atualmente, as mudanças geradas pelo meio técnico científico-informacional — no qual as relações se movem pela informação —, muitas são as heranças dos tempos medievais. Sendo assim, a cultura e os valores morais ainda estão sob a influência teológica-cristã, tal qual regia a sociedade na Idade Média. Por conseguinte, os debates sobre sexo são jogados ao obscurantismo, não somente no âmbito familiar, mas, também, no ambiente escolar. Desta forma, dá-se margem à desinformação dos jovens, o que aumentam as chances de gravidez precoce.
Ademais, segundo a Constituição Cidadã de 1988, a saúde é um direito de todos e um dever do Estado. Entretanto, a condição socioeconômica do indivíduo é uma incógnita importante nessa equação, tendo em vista que a diferença de poder aquisitivo cria um abismo social cruel, colocando, deste modo, os mais pobres a depender de um sistema de saúde deficitário. Em função disso, muitas adolescentes acabam por não contar com o suporte necessário, como, por exemplo, o acesso às consultas ginecológicas, recomendadas às mulheres se tornam sexualmente ativas. Logo, o sistema de saúde torna-se mais um agravante no quadro supracitado.
Destarte, medidas são necessárias para solucionar o impasse. Cabe, portanto, ao Ministério da Saúde, em parceria com o Ministério da Educação, criar um programa de suporte aos adolescentes, o qual contará com acompanhamento especializado nas escolas, na modalidade individual e sigiliosa, buscando, assim, que os jovens usufruam deste com maior segurança. Tal programa será feito por meio de verba liberada pelo Governo Federal, e deverá possuir um sistema de encaminhamento para consultas médicas, caso estas se façam necessárias. Espera-se que, com isso, o problema da gravidez na adolescência seja freado no país.