Gravidez na adolescência em evidência no Brasil
Enviada em 02/10/2020
Na série televisiva “Elite”, Marina é uma adolescente que acaba se envolvendo com Nano, do qual descobre estar grávida. No decorrer da trama, mostra-se as dificuldades e a pressão sofridas pela personagem em decorrência de sua condição. Fora da ficção, é fato que apesar da série se passar na Espanha, existem semelhanças com a realidade brasileira. Nesse contexto, faz-se necessário analisar dois entraves acerca da problemática: a falta de educação sexual nas escolas e a associação da virgindade com a sacralização imposta no período colonial do país.
Primeiramente, convém ressaltar que a questão educacional atenua tal problema. Segundo o filósofo Immanuel Kant, o ser humano é aquilo que a educação faz dele. Nesse sentido, a educação sexual contribuiria com a difusão de informações para as crianças e adolescentes. Entretanto, as escolas brasileiras tratam as questões do sexo e da sexualidade por uma perspectiva conteudista e totalmente afastada do cotidiano do jovem, desconsiderando as questões sociais, econômicas e até mesmo políticas que giram em torno desses temas. Isso resulta, muitas vezes, no aumento da frequência de casos de gravidez indesejada.
Além disso, destaca-se a falta de diálogo acerca do sexo e da sexualidade. Isso ocorre, sobretudo, devido ao tabu existente em torno desses assuntos, reflexo da influência do cristianismo na colonização, que faz com que a família não instrua os jovens a respeito de métodos contraceptivos e meios de proteção contra DSTs. Essa situação é abordada no documentário Gravidez na Adolescência, produzido pela Cineluz, em que é mostrado que geralmente a adolescente e seu parceiro mantêm relações sexuais sem proteção por não possuírem conhecimento sobre os prejuízos que estão sujeitos a sofrer.
Portanto, é necessária a atuação estatal para erradicar os casos de gravidez na adolescência. Sendo assim, cabe ao Ministério da Saúde fazer uma parceria com a mídia, a fim de promover a conscientização do público-alvo. Isso pode ser feito a partir da transmissão constante, em horário nobre, de propagandas e campanhas sobre os riscos e formas de prevenção da gravidez precoce, com a finalidade de diminuir os casos da mesma por meio da informação e do alerta. Somente dessa maneira o Brasil poderá combater e, principalmente, evitar que casos como o de Marina em “Elite” continuem sendo frequentes.