Gravidez na adolescência em evidência no Brasil
Enviada em 28/08/2020
O filme “Juno” tem o intuito de chamar atenção para o impasse da gravidez na adolescência, através da história de uma jovem gravida que se sente confusa sobre querer ou não criar seu filho. Infelizmente, essa questão abordada na obra é muito recorrente no Brasil hodierno, visto que a gestação precoce é um tema, cada vez mais, recorrente no país. Dessa forma, é necessário discutir que o problema espelha a falta de diálogo com os jovens, bem como a perda de direitos universais.
Antes de tudo, é importante analisar a repulsa que a sociedade apresenta ao falar sobre sexo. Sob essa perspectiva, o Historiador Leandro Karnal declarou que a sexualidade é um tabu, demarcada pelo moralismo religioso. Assim, essa visão, que deveria ser arcaica, se torna comum no social e impede um diálogo necessário com a juventude. Entretanto, é inadmissível que a maioria dos adolescentes começam a vida sexual sem devidas orientações, posto que podem colher frutos amargos dessa desinformação propiciando a gravidez, quase sempre, indesejada na adolescência.
Ademais, é valido ressaltar que essa situação deturpa leis internacionais. Para isso, é crucial lembrar que a elaboração da Declaração Universal dos Direitos Humanos, foi baseada no sonho de garantir o bem-estar social de todos os seres humanos, incluindo o direito a educação sexual. No entanto, é notório que o Poder Público não cumpre seu papel enquanto agente fornecedor desse direito, uma vez não dialoga com a juventude sobre o tema, negando informação e colaborando com o aumento de gravidez na adolescência. Dessa maneira, percebe-se que a questão configura não só um irrespeito colossal com os jovens, mas também a violação de acordos internacionais.
Portanto, com o objetivo de minimizar os casos de gravidez na adolescência, urge que o Ministério da Saúde, em parceria com a mídia, faça campanhas informativas, por meio de rádios e canais de televisão. Ademais, essas devem conter dados e especialistas como sexólogos e psicólogos que abordem o tema de maneira clara e eficiente, para que, enfim, os jovens tenha acesso a educação sexual, quebrando o ciclo demarcado pelo moralismo e assegurando os direitos universais. Somente assim, o brasil deixará de retratar as cenas do filme “Juno”.