Gravidez na adolescência em evidência no Brasil
Enviada em 30/08/2020
Dâmocles é conhecido na mitologia grega por conseguir o lugar de rei por uma noite, beneficiando-se dos prazeres luxuosos como monarca. No entanto, durante o banquete, se assustou ao ver uma espada pendurada por um único fio sobre sua cabeça. No contexto atual, esse mito pode se relacionar a uma questão evidente na sociedade brasileira: a gravidez na adolescência, visto que muitos jovens não se preservam durante o sexo e não percebem a “espada” sob suas cabeças. Isso ocorre devido à problemas como: desinformação sexual e imediatismo adolescente.
A priori, é notório que a falta de informação sobre a importância da preservação durante o sexo é um agente do problema. São Tomás de Aquino diz que todos os indivíduos de uma sociedade democrática possuem deveres e direitos iguais. No entanto, o Brasil se destoa do discurso do filósofo, uma vez que as desigualdades encontradas entre as classes sociais do país são significativas, o que afeta, principalmente o nível informacional da população mais pobre. Assim, muitas meninas jovens, sobretudo as quais participam desse grupo, tornam-se reféns da falta de acesso à saúde sexual, como rotina médica, fontes informativas e preservativos. Logo, não só o risco de gravidez precoce, mas também as IST’s, se torna constante.
Outrossim, o imediatismo adolescente também se comporta como agente do problema. O termo “agorista” é utilizado por Zygmunt Bauman para retratar a cerca da sociedade contemporânea, que vive em busca de prazeres imediatos sem preocupação com as possíveis consequências. Dessa maneira, muitos jovens brasileiros podem ser definidos pelo conceito do sociólogo, uma vez que priorizam momentos de prazer, como o sexo, agindo de maneira irresponsável. Dessa forma, se tratando de uma gravidez precoce, parte das meninas ainda sofre pela criação da criança, já que muitos dos jovens se recusam a assumir a paternidade, e assim, além de impedir a resolução do impasse, contribuem para a formação de outro: o abandono paternal.
Diante ao exposto, é necessário que ações sejam efetivadas para a resolução do problema da gravidez adolescente. Para isso, o Ministério da Saúde, aliado ao Ministério da Educação, deve agir de maneira que ocorra a difusão de informações nas escolas, públicas e privadas, atingindo os jovens brasileiros. Dessa maneira, projetos como palestras, aulas e rodas de diálogo serão incluídas nas unidades educacionais, sendo ministradas por profissionais da área da saúde. Além de que os responsáveis também devem ser incluídos nessa proposta, para que sejam orientados sobre a importância da educação sexual com os adolescentes. Com isso, os desafios da gravidez precoce, que é evidente no Brasil, serão combatidos e os jovens libertos da “espada” sob suas cabeças.