Gravidez na adolescência em evidência no Brasil
Enviada em 01/09/2020
Na série americana “Glee”, é narrada a história de Quinn, uma jovem que engravida enquanto cursa o ensino médio. A personagem, sem receber as orientações preventivas adequadas, é levada a abandonar seus estudos para dar continuidade à gestação. Embora trate-se de uma produção televisiva, a gravidez na adolescência é uma realidade no Brasil, apresentando altos índices, comparados ao parâmetro mundial. Diante desse cenário, depreende-se que o alto número de mães adolescentes ocorre devido à falta de abordagem efetiva da educação sexual nas escolas e à ínfima discussão adequada, pela mídia, sobre o assunto, tornando-o um tabu.
Em primeira análise, percebe-se que a falta de uma atenção especial, por parte das instituições de ensino, para a promoção de discussões sobre a maternidade precoce, causa o desconhecimento dos jovens sobre suas consequências. Nesse sentido, vê-se necessária uma abordagem efetiva, a respeito do uso de métodos contraceptivos, doenças sexualmente transmissíveis e impactos da gravidez na adolescência para a saúde física e psicológica dos alunos, que se encontram em fase de desenvolvimento e consolidação dos estudos. Dessa forma, o diálogo, que deve ocorrer em vários estágios da vida escolar, é essencial, visando uma tomada de decisão segura e a manutenção dos direitos à saúde, à educação e à infância, estabelecidos no artigo 6º da Constituição Federal.
Associado a isso, a reduzida abordagem desse tema, de uma forma adequada, pela mídia, resulta na transformação desse assunto em um tabu. Nesse aspecto, analisa-se que manchetes sobre jovens grávidas são promovidas com grande sensacionalismo e exposição exagerada, não atentando, necessariamente, para uma política de orientação especializada aos adolescentes. Nessa conjuntura, somado à divulgação de uma notícia, a mídia, com seu papel de influência inegável, deve ser responsável por promover discussões e informativos focados em debater o assunto, para que os jovens tomem consciência dos perigos que envolvem a maternidade e a paternidade precoces.
Portanto, infere-se que o estado de desconhecimento e de falta de abordagem a respeito da gravidez precoce deve ser revertido. Desse modo, é necessário que a escola promova a inserção da educação sexual, de acordo com a faixa etária dos alunos, por meio de palestras informativas que envolvam contribuição dos jovens, a fim de fornecer o conhecimento necessário para a tomada de decisão consciente. Além disso, é preciso que a mídia organize programas de orientação e discussão a respeito da vida sexual precoce, por meio de campanhas veiculadas durante o mês de setembro, cujo dia 26 é voltado para a prevenção mundial da gravidez na adolescência, com a finalidade de atingir o público jovem e, assim, estabelecer maior debate e conscientização a respeito desse fenômeno.