Gravidez na adolescência em evidência no Brasil

Enviada em 10/09/2020

No filme “Juno” é retratada a história da personagem Juno MacGuff, uma jovem que, acidentalmente, engravidou e vive os dilemas de ser mãe aos 16 anos. Na esteira desse processo, a história de Juno é análoga a realidade de muitas adolescentes brasileiras que vivem os desafios da gravidez precoce. Nesse contexto, a falta de conhecimento a cerca da educação sexual trazem, além da gravidez na adolescência, uma série de problemas associados a esse fator, constituindo-se, assim, como um dos desafios a serem vencidos.

Em primeiro lugar, é imperioso salientar que, mesmo com todas as medidas contraceptivas existentes, o Brasil é um dos países com maiores números de fecundidade precoce no mundo. Nesse sentido, de acordo com pesquisas do Banco Mundial, o país ocupa a 49° colocação dos 213 países com gravidez precoce, sendo que 70 a cada mil meninas entre 15 e 19 anos dão a luz todo ano. Sob essa ótica, essa alta taxa afeta, principalmente, jovens que vivem em situação de vulnerabilidade social, fazendo com que essa desigualdade se acentue ainda mais. Logo, a situação das jovens brasileiras se assemelha a história e os desafios da personagem Juno.

Nessa perspectiva, as consequências negativas da fecundidade na adolescência afetam o desenvolvimento psicossocial desses indivíduos. Segundo o especialista Pedro Magalhães Ganem, a falta de educação sexual nas escolas e comunidades é um dos principais causadores do aumento de natalidade entre os jovens. Além disso, problemas como evasão escolar e desigualdade social crescem exponencialmente devido a esse fator social, pois, cerca de 75% das adolescentes que tem filhos se encontram fora da escola. Sendo assim, a terra verde e amarela tem um longo caminho a percorrer rumo a solução dessa problemática.

Dessa forma, medidas compartilhadas entre Poder Público e Sociedade Civil são necessárias para se combater esses estigma social. Nessa ótica, o Ministério da Educação, em parceria com escolas, devem fomentar projetos que estimulem a educação sexual entre os jovens. Isso se dará através de palestras em escolas e comunidades, com o intuito de mostrar a todos os adolescentes métodos contraceptivos e em como a gravidez precoce pode afetar drasticamente o seu desenvolvimento social e psicológico. Ademais, a mídia tem papel fundamental em disseminar propagandas informativas sobre métodos contraceptivos, fazendo com que todos tenham acesso a essas informações. Feito isso, o Brasil caminhará, de fato, para uma nova realidade.