Gravidez na adolescência em evidência no Brasil
Enviada em 04/09/2020
Educação como ferramenta de saúde pública
A série “Sex Education”, exibida na plataforma Netflix, demonstra como a falta de educação sexual nas escolas e a ausência de aparato familiar no cotidiano dos adolescentes pode introduzir inúmeras consequências negativas na vida do jovem relacionada a uma gravidez precoce, também contextualizada na trama. No entanto, o fato não é presente apenas na ficção mas também evidenciado no cotidiano brasileiro o qual constata um dos maiores índices de adolescentes grávidas da América Latina. Nesse contexto, percebe-se a configuração de um grave problema de contornos específicos, em virtude do silenciamento à nível social em consonância com a ausência de políticas públicas exercidas pelo Estado, impedindo, desse modo, caminhos que levem à resolução do problema.
A princípio de acordo com o documentário nacional – Meninas e a gravidez na adolescência – verifica-se que, um dos fatores que ocasionam a prematura iniciação sexual de meninas e sua consequente gestação é a ausência de um sistema educacional eficaz que saiba instruir desde o autoconhecimento anatômico do corpo feminino até aos métodos de contracepção. A negligência e silenciamento à nível social sobre o tema influi em posteriores consequências como o fato de que, de acordo com o Ministério da Educação, 75% das mães adolescentes abandonam a escola, o que pode prejudicar seu futuro no aspecto profissional.
Outro aspecto relevante é que, a ausência de políticas públicas, que deveriam ser exercidas pelo Estado referente à assistência social e psicológica, corroboram para o aumento de gravidez precoce no Brasil. De acordo com o artigo publicado pela ONU (Organização das Nações Unidas), a gravidez na adolescência é mais frequente em grupos de maior vulnerabilidade social, que carecem muitas vezes da presença familiar ou em perspectiva de futuro, e deve ser amparada com o auxílio do Estado tanto na prevenção quanto em seu decorrer.
Face ao exposto, cabe a reformulação de medidas estratégicas que alterem esse cenário. Para que isso ocorra o Ministério da Educação junto ao Ministério da Saúde devem desenvolver palestras em escolas, para alunos do ensino fundamental e médio, por meio de entrevistas com psicólogos e médicos especialistas na saúde da mulher e do adolescente. Tais palestras devem ser webconferenciadas nas redes sociais dos ministérios com o objetivo de trazer mais lucidez sobre a gestação precoce na atualidade brasileira e atingir, desse modo, um público maior. Por fim, é preciso que a sociedade olhe de maneira otimista para essa situação e acredite que como constatado por Aristóteles “A educação tem raízes amargas, mas os seus frutos são doces.”