Gravidez na adolescência em evidência no Brasil

Enviada em 08/09/2020

No filme ‘‘Onde mora o coração’’, é retratada a história da jovem Novalee, a qual inserida em um contexto de ausência de uma estrutura familiar sólida e de perspectivas, engravida precocemente. Nesse sentido, o Brasil convive hoje com o desafio da gravidez na adolescência como um obstáculo a ser superado. Diante disso, a desinformação, reflexo da falta de uma educação sexual, bem como, as desigualdades socioeconômicas sentidas por milhares de jovens reforçam esse fato social.

Em primeiro plano, é importante destacar a conservação de discursos socialmente conhecidos, que anula e negligencia o acesso à informação. A esse respeito, segundo o filósofo Michel Foucault, tende-se a não abordar assuntos considerados nocivos à integridade social, como a sexualidade. Nesse sentido, apesar de condenarem a gestação na juventude, os pais e os profissionais da educação não debatem esse assunto, ou por não estarem preparados, ou por acreditarem que esse ato estimula, ao invés de prevenir. Logo, observa-se uma visão errônea da sociedade, a qual associa a manutenção de valores à carência educativa.

Em segundo plano, é necessário evidenciar as más condições de vida de diversos adolescentes brasileiros. Segundo dados do UNFPA, a maior incidência de gravidez juvenil ocorre entre classes mais pobres. Dessa forma, os jovens são colocados em uma situação de vulnerabilidade social - marcada pela ausência de informação e de acesso ao uso de contraceptivos - o que os leva a um ciclo de pobreza, visto que a sobrecarga, gerada pela gravidez precoce, causa efeitos negativos no desempenho escolar e em uma possível capacitação profissional. Assim, tem-se a importância do Estado em amenizar as desigualdades sociais e garantir os direitos das crianças e dos adolescentes brasileiros.

Portanto, medidas são necessárias para a resolução dessa problemática social. Por isso, cabe ao Ministério da Educação, por meio de verbas, desenvolver palestras e atividades em bairros e escolas - haja vista a escola ser a máquina socializadora do Estado - com especialistas em sexualidade juvenil e psicólogos, a fim de de que os adolescentes e as famílias adquiram conhecimento sobre a importância da responsabilidade sexual e do uso de preservativos. Ao governo, cabe diminuir as desigualdades socioeconômicas, por meio de investimentos na educação e em cursos profissionalizantes, a fim de garantir a formação desses cidadãos e a entrada ao mercado de trabalho. As mídias, devido a seu alto poder de persuasão, devem promover propagandas de maior conscientização acerca dos riscos de uma maternidade na adolescência e de divulgação dos métodos contraceptivos. Desse modo, o público juvenil não passará pela mesma situação que de personagens como Novalee.