Gravidez na adolescência em evidência no Brasil
Enviada em 09/09/2020
O filme americano “Preciosa” tematiza os desafios perpetrados pela gravidez precoce na vida de uma adolescente de 16 anos, vítima de abuso sexual, que vive em um ambiente de extrema vulnerabilidade. Mostra-se, portanto, que também na obra ficcional assim como na realidade brasileira, a ausência de um debate aberto sobre educação sexual somado à negligência estatal na disseminação de políticas públicas de combate à conscientização da gravidez na adolescência são os principais fatores que justificam o aumento do número de mães adolescentes no país.
Entre os fatores que justificam o crescente aumento do número de casos de gravidezes antes dos 18 anos está o fato de que, no Brasil, assim como em muitos países de colonização cristã, o assunto sexo seja encarado como tabu, ou seja, um assunto proibido, conforme definiu Sigmund Freud em seu livre Totem e Tabu. Assim, sendo um país onde a castidade e a pureza sexual são aclamadas, a ausência de debates e aulas sobre o assunto acabam por desenformar crianças e adolescentes, o que os levam a prática de relações sexuais irresponsáveis. Além disso, a negligência estatal em relação ao artigo 5º do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), intensifica o problema em questão ao não desenvolver medidas enérgicas que freiem os casos de gravidezes precoces, contrariando, dessa forma, seu dever legal de proteger esses indivíduos.
Observa-se, desta maneira, que pelo fato de sexo e sexualidade serem tabus na sociedade brasileira, é comum que essas meninas, grávidas, sofram diversas formas de discriminação, seja no ambiente familiar, na escola ou na comunidade como um todo. Esse preconceito somado à sobrecarga de trabalho representada por uma criança faz com que o desempenho escolar das meninas grávidas ou mães na adolescência caia, o que aumenta a evasão escolar. Consequentemente, essas garotas não se capacitam adequadamente para uma futura inserção no mercado de trabalho e, desse modo, acabam por perpetuar o fenômeno conhecido como ciclo da pobreza, por não possuírem os meios necessários que as ajudem a ascender economicamente.
Portanto, com vistas a reduzir os índices de gravidezes adolescentes no Brasil, faz-se necessário que a parcela da população formadora de opinião – escolar, universidades e a mídia – fomente, por meio de debates entre profissionais e público, palestras, debates no seio familiar e o incentivo a inclusão de aulas de educação sexual nas escolas, a desconstrução do tabu relacionado ao sexo e à sexualidade, com o fito de empoderar adolescentes não só em relação à informação, como à possibilidade de procurarem por ajuda e por métodos contraceptivos sem se sentirem oprimidos pelo preconceito.