Gravidez na adolescência em evidência no Brasil
Enviada em 21/09/2020
Segundo dados do Ministério da Saúde, a gravidez na adolescência, no Brasil, teve uma queda de 17% entre 2004 a 2015. No entanto, apesar dessa redução, os números ainda são alarmantes, sendo um dos maiores da América Latina. Diante desse panorama, é válido entender os principais motivos para a persistência dessa questão social, como o conservadorismo da sociedade e a existência de uma falha educacional.
É importante pontuar, de início, que o tabu associado a sexualidade, no Brasil, vem a muitos anos dificultando um debate sobre esse tema. Tal impasse surgiu ainda durante o Brasil colônia, quando a vinda de portugueses e jesuítas promoveu a incorporação de ideais católicos e patriarcais em uma população nativa, que possuía uma visão muito mais natural e inocente em relação ao corpo. Desse modo, é fácil perceber, hoje, a influência dessa visão conservadora sobre a vida sexual dos jovens, o que leva muitos pais a não conversarem com os filhos, contrariando a frase de John Locke, a qual afirma que o homem nasce uma tabula rasa, logo precisa de orientações ou vivências para aprender a fazer o correto. Assim, nota-se que a falta de diálogo é um dos grandes causadores de tantas meninas, menores de dezoito anos, ainda engravidarem indesejavelmente.
Cabe mencionar, em segundo plano, que as escolas também possuem uma enorme responsabilidade na gravidez precoce de muitas alunas. Isso se justifica pelo fato de que o processo de socialização primária, o qual é essencial para o indivíduo viver em sociedade, é função tanto da família quanto da escola. Dessa forma, quando a educação sexual é barrada por programas governamentais, como o Escola Sem Partido, percebe-se a forte negligência das autoridades com a formação das crianças e dos jovens do país, indo no caminho oposto ao de países desenvolvidos, como os EUA e a Holanda, em que os próprios pais percebem a importância de se discutir a sexualidade no âmbito escolar. Com isso, fica notório o essencial papel das escolas para reduzir a gravidez na adolescência.
Em suma, apesar de muitas brasileiras ainda engravidarem precocemente, poucas medidas vêm sendo tomadas para reverter esse quadro social. Diante disso, urge que os Ministérios da Saúde e da Educação, como órgãos públicos responsáveis pela garantia de direitos básicos à população, promovam a criação de um projeto escolar, que estimule a implementação da educação sexual, nas salas de aula, por meio de cursos oferecidos aos professores, de modo que eles sejam orientados sobre como agir com cada faixa etária e como mostrar a importância dessa discussão para os pais. Dessa maneira, e com a promoção de campanhas nos meios de comunicação, as quais conscientizem sobre o uso de preservativos, aos poucos, a gravidez na adolescência terá uma efetiva redução.