Gravidez na adolescência em evidência no Brasil

Enviada em 24/09/2020

Lançado em 1904 pelo psicólogo norte americano Stanley Hall, o livro: ´´Adolescense aborda a importância do período compreendido entre a infância e a vida adulta ao caracterizá-lo como um estágio aquisitivo de habilidades indispensáveis para atingir a maturidade. Paradoxalmente, no Brasil hodierno, o alto número de casos de gravidez precoce entre jovens, constata que tal faixa etária ainda não logrou sua devida relevância. Dessarte, sustentado por coeficientes de ordem comunicativa e socioeconômica, tal panorama implica consequências negativas para os desbravadores da puberdade.      Primordialmente, faz-se necessário ponderar a insuficiência de debates acerca do tema educação sexual nos ambientes escolares, bem como no entorno familiar, como catalisadora do empecilho. Consoante o filósofo francês Michel Foucault, certos discursos obscurizados revelam constrangimento por parte dos interlocutores, o que se aplica ao presente contexto, visto que o termo ´´sexo ainda é tratado como tabu. Consequentemente, marcada pelo pico nos níveis hormonais, a iniciação à vida sexual, reiteradamente, não costuma ser acompanhada do uso profícuo de contraceptivos. Com efeito, cria-se, assim, riscos diretos à saúde tanto dos bebês quanto das jovens mães, as quais ficam vulneráveis ao parto prematuro, ao desenvolvimento de depressão ou mesmo ao ato do suicídio.

Paralelo a isso, também é relevante externar os impactos socioeconômicos gerados pela gravidez precoce. Frequentemente sem o apoio familiar, as futuras jovens mães acabam recorrendo à evasão escolar. A esse respeito, em que pese a instável formação educacional, aquelas acabam encontrando obstáculos quando da inserção ao competitivo mercado de trabalho atual. Por conseguinte, a situação se agrava entre jovens de famílias menos abastadas economicamente, já que ocorre a consolidação de um ciclo de pobreza que vai de encontro ao Artigo 7º da Constituição Federal de 1988, o qual assegura melhoria na condição de vida dos hipossuficientes na busca por igualdade social.

É necessária, portanto, a adoção de medidas que possam suplantar a alta taxa de gravidez precoce no Brasil. Segundo dados do Ministério da saúde, 66% das gravidezes em adolescentes são indesejáveis. Logo, será promissora a parceria desse Ministério com estudantes de medicina de Universidade Públicas na realização de palestras nos ambientes escolares, as quais conscientizem o tecido juvenil sobre os riscos à saúde, bem como as implicações a curto e longo prazo concatenadas ao entrave. Outrossim, valendo-se da função conativa da linguagem, as mídias sociais poderão promover campanhas com o fito de suscitar a participação dos pais, por intermédio do diálogo com seus filhos em fase adolescente, de modo a desconstruir, ainda que paulatinamente, a percepção do termo sexo como tabu. Assim, espera-se que as considerações de Stanley Hall sobre a adolescência sejam cristalizadas.  cristalizadas… .co.contemporaneidade brasileira.